O PORTUGUÊS COMO LÍNGUA DE ACOLHIMENTO – DESAFIOS CULTURAIS E METODOLÓGICOS ENCONTRADOS POR PROFESSORES DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA: UM ESTUDO DE CASO
INTRODUÇÃO: A presente pesquisa, desenvolvida a partir do Programa Lampedusa da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, foi construída com base no cenário mundial contemporâneo, marcado por crises socioeconômicas, desastres ambientais e guerras. Consequentemente, uma série de migrações, destacando um maior cuidado no ensino da língua do país de destino do migrante. Considerando que o Brasil é um dos países que mais recebe migrantes no mundo (Boletim das Migrações, 2024), torna-se visível a necessidade de desenvolver e aprimorar o Português como Língua Estrangeira (PLE), além de uma sala de aula multicultural ser essencial para não existir uma postura colonial sobre culturas diversas. Em meio ao panorama global, o português não se torna exclusivamente uma língua a ser aprendida, mas também uma língua de acolhimento. OBJETIVOS: O projeto busca identificar se as aulas ministradas são adequadas aos alunos em situação de refúgio. Além disso, busca verificar se as metodologias aplicadas na sala de aula instruem e preparam para a realidade cotidiana e profissional. MATERIAIS E MÉTODO: A pesquisa, de caráter qualitativo, se dividiu em duas partes, uma por semestre. A primeira parte se deu pela leitura de referenciais bibliográficos relacionados ao ensino, metodologia e aprendizagem do português, com escrita de paráfrases. Já no segundo semestre de pesquisa, foram realizadas observações participativas nas salas de aula do Programa Lampedusa nos períodos da manhã e noite, contando com uma criação e aplicação de questionários ao corpo discente do programa, totalizando oitenta e oito questionários aplicados. RESULTADOS: Os dados obtidos revelaram os principais desafios encontrados por professores para abordagem do ensino de Português como Língua Estrangeira, como a dificuldade de eliminar a barreira cultural. Sob a perspectiva dos obstáculos sociais do corpo estudantil do Programa, são apontadas questões diversas, como a timidez para tirar dúvidas, cansaço decorrente das obrigações diárias, os entraves da barreira cultural e falta de tempo para se dedicar à formação. Quanto ao aprendizado, destacam-se dificuldades em gramática e escrita, mas principalmente na fala e pronúncia. Em contrapartida, por parte dos alunos, a avaliação do ensino do Lampedusa foi positiva. Os estudantes indicaram que recursos digitais facilitam o aprendizado, os ajudam a se sentirem mais incluídos no ambiente e muitos acreditam que práticas de oralidade, escuta e produção textual são eficazes para sua formação. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O ensino de PLE e PLAc (Português como Língua de Acolhimento) não se trata apenas de aprender a escrever e interpretar a língua portuguesa, mas busca, também, promover um olhar decolonial em uma sala de aula multicultural e livre de práticas colonialistas, para inclusão dos estudantes dessas vertentes do português tanto na sociedade quanto na vida profissional. Quando o projeto liga estudos bibliográficos à observação em campo, a pesquisa se torna essencial. Aprender os conceitos acerca do PLE e PLAc dos textos estudados ampliou e fortaleceu o entendimento das observações de metodologias adotadas em sala de aula, das características dos estudantes e, principalmente, possibilitou a convivência e conversa direta com os alunos.
PALAVRAS-CHAVE: Português como Língua Estrangeira (PLE); Programa Lampedusa; Desafios culturais; Metodologia; Português como Língua de Acolhimento (PLAc).
Votação encerrada.