REVISÃO DE LITERATURA SOBRE PROGRAMAÇÃO TÉRMICA DURANTE A INCUBAÇÃO DE OVOS FÉRTEIS
INTRODUÇÃO: Durante a incubação de ovos férteis, fatores como temperatura, umidade e concentração de dióxido de carbono devem ser controlados para atender às necessidades do embrião em desenvolvimento. OBJETIVOS: O objetivo do estudo foi desenvolver uma revisão de literatura sobre a manipulação térmica durante a incubação, para compreender os mecanismos de termorregulação embrionária, e o desempenho produtivo dos frangos de corte, que frequentemente enfrentam condições ambientais adversas durante a criação. MATERIAIS E MÉTODO: Para o desenvolvimento da revisão da literatura, a busca se concentrou em artigos científicos publicados em periódicos revisados por pares e nas bases de dados online, PubMed, Web of Science e Scopus. Após a seleção dos materiais, as informações foram analisadas e organizadas de forma a apresentar os principais resultados encontrados na literatura, possibilitando a discussão dos efeitos da programação térmica sobre a incubação e a produção avícola. RESULTADOS: Estudos mostram que a manipulação da temperatura de incubação pode influenciar o desenvolvimento do sistema termorregulatório das aves, envolvendo hormônios, neurotransmissores e citocinas. Diferentes metodologias têm sido utilizadas, variando em intensidade, duração e frequência dos estímulos térmicos. Em geral, a taxa de eclosão pode ser melhorada, embora os resultados sobre a capacidade de adaptação das aves ainda sejam divergentes. O manejo térmico também pode alterar o desenvolvimento vascular, os níveis hormonais e a expressão de proteínas de choque térmico, que variam conforme o tipo de estímulo, a linhagem e a idade da ave. Além disso, temperaturas de incubação mais baixas podem favorecer a qualidade dos pintos recém-eclodidos. Pesquisas que aplicaram curtos períodos de altas temperaturas entre o 16º e o 18º dia de incubação, fase em que ocorre a ativação de estruturas cerebrais ligadas à termorregulação, observaram melhora na tolerância ao calor durante a primeira semana de vida, sem prejuízos significativos à eclodibilidade ou ao peso dos pintos. Entretanto, os efeitos positivos não costumam persistir até as fases finais de criação. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que a manipulação térmica durante a incubação pode ser uma estratégia útil em regiões de clima quente para auxiliar a adaptação das aves. Contudo, quando as condições ambientais são adequadas durante o crescimento, essa prática pode não trazer benefícios e até comprometer o desempenho posterior.
PALAVRAS-CHAVE: Adaptação epigenética; Programação térmica; Sistema termorregulatório.
Votação encerrada.