AVALIAÇÃO DA VIABILIDADE DE CORDEIROS NA FASE PÓS-PARTO: INFLUÊNCIA DO ESCORE DE CONDIÇÃO CORPORAL MATERNO E PARÂMETROS CLÍNICOS
INTRODUÇÃO: A viabilidade neonatal dos cordeiros é um dos principais determinantes da eficiência produtiva da ovinocultura, sendo influenciada por fatores maternos, tais como o Escore de Condição Corporal (ECC), e monitorada por meio de parâmetros clínicos, hematológicos e bioquímicos do próprio neonato. OBJETIVOS: Correlacionar o ECC materno pré e pós-parto e os parâmetros clínicos, hematológicos e bioquímicos dos cordeiros, e sua influência sobre a viabilidade e o desenvolvimento neonatal até os 30 dias de vida. MATERIAIS E MÉTODO: Foram acompanhados 20 cordeiros, oriundos de 14 matrizes ovinas das raças Dorper e mestiças, na Clínica Veterinária da PUCPR Câmpus Toledo. Os animais foram avaliados ao nascimento, aos 15 e aos 30 dias de vida quanto ao peso corporal, ECC, frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura retal, tempo de preenchimento capilar, hemograma e perfil bioquímico sérico. O ECC materno foi avaliado nos períodos pré e pós-parto. A normalidade das variáveis foi testada pelo teste de Shapiro-Wilk, e os dados foram submetidos à análise estatística descritiva e à correlação de Spearman. RESULTADOS: A viabilidade dos cordeiros foi acompanhada durante os primeiros 30 dias de vida, sem registro de óbitos entre os 20 animais avaliados. Não houve correlação estatisticamente significativa entre o ECC materno e o peso ao nascer ou o ganho de peso diário dos cordeiros (p > 0,05 em todas as análises), embora o ECC materno tenha se mostrado progressivamente menor conforme aumentava o número de fetos por gestação. O sexo e o tipo de parto exerceram influência mais evidente sobre o desempenho ponderal do que o ECC materno isoladamente, enquanto o ECC do próprio cordeiro, tanto ao nascimento quanto aos 30 dias, correlacionou-se fortemente com seu peso e ganho de peso nos respectivos períodos. Os parâmetros clínicos apresentaram estabilização fisiológica progressiva ao longo dos 30 dias, e o perfil hematológico revelou padrão de hemodiluição relativa compatível com a anemia fisiológica neonatal. A GGT sérica apresentou queda acentuada entre o 1º e o 30º dia de vida, indicando adequação da ingestão colostral na maioria dos animais. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O ECC materno, isoladamente, não se mostrou o principal determinante da viabilidade e do desempenho ponderal dos cordeiros nesta amostra, sendo o tipo de parto, o sexo e a condição corporal do próprio cordeiro variáveis de maior influência direta. A combinação de avaliação clínica com exames laboratoriais mostrou-se relevante para a detecção precoce de alterações neonatais, reforçando a importância do monitoramento integrado na fase pós-parto.
PALAVRAS-CHAVE: Ovinocultura; Escore de Condição Corporal; Neonatologia veterinária; Viabilidade neonatal; Hematologia e bioquímica de cordeiros.
Votação encerrada.