STORYTELLING ALINHADO AO ÂMBITO SOCIAL CONTEMPORÂNEO
INTRODUÇÃO: Este estudo indaga o consumo de storytelling na era digital, com foco em narrativas indígenas veiculadas por podcasts, analisando como essas produções articulam tradição oral, lutas por direitos e novas formas de agenciamento cultural. A pesquisa parte da constatação de que, embora Walter Benjamin tenha anunciado o declínio da arte de narrar, o ambiente digital tem criado espaços inéditos para a reinvenção da oralidade, amplificando vozes historicamente silenciadas. OBJETIVOS: O objetivo geral é analisar os meios de consumo de narrativas digitais, enquanto os objetivos específicos incluem pesquisar materiais audiovisuais de storytelling, examinar sua relação com lutas cotidianas por direitos e refletir sobre seu alinhamento com o consumo de arte no contexto digital contemporâneo. MATERIAIS E MÉTODO: A metodologia adotada é de natureza qualitativa, baseada em revisão bibliográfica e na avaliação do conteúdo de episódios selecionados dos podcasts Nhexyrõ e EcoaMaloca. Foram lidas e sintetizadas diversas obras, com destaque para as contribuições de Walter Benjamin (1985); Galvão e Batista (2006); Sanseverino (2022); Hartmann (2014); Tettamanzy, Zalla e D’Ajello (2010). Os episódios foram selecionados por afinidade temática, tendo em vista o que chamamos de narrativas de luta, nas quais o storytelling se configura como ferramenta de resistência, denúncia e construção de novas subjetividades e forma poética. Trata-se de: “Denilson Baniwa – Ser indígena é criar algo coletivo” e “Gê Viana e Ian Wapichana – Contracolonizando a imagem e o som” do podcast Nhexyrõ e “Teatro Indígena” e “Emergência climática e os povos indígenas” do podcast EcoaMaloca. RESULTADOS: Os resultados revelam que os podcasts analisados funcionam como espaços performáticos de resistência, nos quais a narração oral é reinventada para enfrentar desafios contemporâneos, como a crise climática e o etnocídio. As narrativas evidenciam o autodidatismo como estratégia de sobrevivência, a descolonização de linguagens artísticas e a denúncia da exclusão dos povos indígenas em fóruns internacionais. Os artistas abordam a arte como ferramenta de luta direta, a importância do retorno comunitário e a crítica à apropriação cultural, além de discutirem a necessidade de uma performance identitária autêntica, que vá além da superficialidade das redes sociais. O estudo também destaca a tensão entre tradição e inovação, com a criação de linguagens próprias como o cinema indígena autoral, e a construção de redes de solidariedade entre diferentes povos e territórios. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Argumentamos que o storytelling indígena digital não é uma simples transposição da oralidade, mas uma criação ativa que articula memória, política e estética, desafiando narrativas hegemônicas e contribuindo para uma ecologia narrativa de resistência. Os podcasts cumprem funções democratizantes ao amplificar vozes silenciadas, mas enfrentam desafios como a persistência de estruturas coloniais, a invisibilidade e a apropriação cultural. A pesquisa sugere que futuras investigações explorem a recepção dessas narrativas e seu impacto na formação de consciência política, especialmente diante da emergência climática e da luta por direitos territoriais, reafirmando a importância dos saberes indígenas para a construção de um futuro mais justo e sustentável.
PALAVRAS-CHAVE: Storytelling ; Podcasts Indígenas; Oralidade Digital; Performance Narrativa; Luta por Direitos.
Votação encerrada.