GÊNERO NA FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA DA UFPR
INTRODUÇÃO: O gênero é compreendido como uma construção socio-histórica que fundamenta os papéis e as identidades sociais. Historicamente, a Psicologia contribuiu para a dicotomização e a patologização das diversidades de gênero, reforçando desigualdades e violências atreladas à temática. Atualmente, apesar das discussões e das normativas do Conselho Federal de Psicologia (CFP), a literatura revela a permanência de lacunas sobre o tema durante a graduação. Essa defasagem na formação acadêmica compromete o preparo técnico dos profissionais e a conduta ética diante dessa diversidade. OBJETIVOS: Nesse sentido, visando contribuir para a historiografia da Psicologia na cidade de Curitiba, a presente pesquisa tem como objetivo analisar as abordagens epistêmicas do conceito de gênero no curso de graduação em Psicologia da Universidade Federal do Paraná. MATERIAIS E MÉTODO: caráter exploratório e qualitativo, e a análise de dados tem como lente o paradigma social. A partir da busca pelos conceitos de “gênero” e “identidade”, a aparição de gênero de forma central nas disciplinas se deu por temas relacionados a gênero e psicologia, subjetividade, violência, vulnerabilidade psíquica e relacionamentos amorosos. Ademais, frente à escassez de disciplinas com abordagem central sobre o tema, ampliou-se a análise para outras disciplinas que o abordam de forma periférica, sendo selecionadas 116 disciplinas, entre obrigatórias e optativas, a partir da leitura dos títulos, das ementas resumidas e das bibliografias disponíveis. RESULTADOS: Os dados foram sistematizados em duas categorias para análise dos conceitos-chave e das epistemologias abordadas sobre gênero. São elas: “Psicologia Social e Gênero: subjetividade, relações sociais, identidade, grupos e instituições” e “Práticas em Psicologia: gênero, ética, direitos humanos e políticas públicas”. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A articulação entre o panorama histórico, a formulação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), as normativas do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e a análise dos ementários permite compreender uma perspectiva de como se constrói o percurso dos estudos de gênero durante a graduação da UFPR. Assimilar essa conjuntura sob um olhar crítico e orientado possibilita o desenvolvimento de uma formação com potencial para romper estigmas e lógicas patologizantes. Para além de integrar as discussões de gênero no currículo, reconhecer e aprofundar sua diversidade reverbera diretamente na consolidação de uma conduta profissional mais ética.
PALAVRAS-CHAVE: Ementários; Gênero; Identidade; Formação; Psicologia.
Votação encerrada.