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SEXUALIDADE NA REVISTA PSICOLOGIA E ARGUMENTO (1982-2004)

ABREU, Guilherme Fonseca Trindade de¹; BORTOLOZZI, Remom Matheus³
Curso do(a) Estudante: Psicologia – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Psicologia – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A sexualidade constitui um fenômeno histórico e socialmente produzido, atravessado por relações de saber e poder que moldam as vivências. Sob a perspectiva do Construcionismo Social, compreendemos que os discursos científicos não apenas descrevem a realidade, mas também participam ativamente da construção de modos de ser, viver e compreender as subjetividades. Nesse sentido, considerando a escassez de investigações historiográficas sobre a produção de conhecimentos acerca da sexualidade no estado do Paraná, especialmente no município de Curitiba, esta pesquisa foi desenvolvida a partir desse cenário analítico, buscando compreender como tais discursos foram historicamente produzidos e mobilizados no campo da Psicologia. OBJETIVOS: Analisar a presença e a diversidade epistemológica dos saberes e das práticas sobre sexualidade nas publicações da Revista Psicologia Argumento, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, entre 1982 e 2004 MATERIAIS E MÉTODO: Realizamos uma pesquisa qualitativa de caráter documental, fundamentada na perspectiva das Práticas Discursivas, articulando os tempos Longo, Vivido e Curto como matriz analítica. O corpus documental inicial abrangeu 328 artigos distribuídos em 39 edições, resultando em um corpus final de 11 artigos específicos sobre sexualidade após a aplicação de critérios de inclusão e exclusão. As produções foram categorizadas conforme subcategorias, perspectivas epistemológicas e manifestações dialógicas. RESULTADOS: Os resultados demonstraram que a temática emergiu no periódico apenas a partir de 1995, apresentando baixa expressividade numérica ao longo do recorte temporal. Identificamos a predominância da subcategoria orientação afetivo-sexual, seguida por práticas sexuais, sem registros sobre corporalidade ou sexo biológico. Do ponto de vista epistemológico, constatamos o predomínio de perspectivas essencialistas, universalizantes e naturalizantes, vinculadas à Psicanálise, à Análise do Comportamento e à Terapia Cognitivo-Comportamental, embora tenham coexistido três produções ancoradas no Construcionismo Social. Ademais, observamos que as práticas discursivas se vincularam majoritariamente ao Tempo Longo, revelando a permanência de discursos cisheteronormativos, monogâmicos e binários, além de uma única abordagem voltada à diversidade sexual sob um viés patologizante e a ausência de marcadores interseccionais como classe, raça, geração e capacidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Concluímos que as publicações refletem a transição epistemológica vivenciada pela Psicologia brasileira no período investigado, marcada pela coexistência entre matrizes essencialistas e construcionistas. Desse modo, ressaltamos a relevância de ampliar investigações históricas sobre os saberes psicológicos e de fortalecer produções científicas críticas, interseccionais e comprometidas com os Direitos Humanos, com os Direitos Sexuais e com as Políticas Públicas, visando a uma formação profissional ética e socialmente contextualizada.

PALAVRAS-CHAVE: Psicologia; Sexualidade; Psicologia Argumento; Produção científica.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida na modalidade voluntária no programa PIBIC.

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