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DIAMANTES DE SANGUE COMO ARMAS DE GUERRA: A ATUAÇÃO DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL FRENTE À CUMPLICIDADE EMPRESARIAL

ALVES, Ana Claudia Baldan¹; BELII, Anna Cláudia Menezes Lourega³
Curso do(a) Estudante: Direito – Escola de Direito – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): PPGD – Escola de Direito – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: O presente estudo investiga a complexa relação entre o comércio global de diamantes de sangue e a responsabilidade penal de líderes corporativos no âmbito do Tribunal Penal Internacional. O cenário contemporâneo das relações internacionais é marcado pela atuação de grandes corporações em regiões de instabilidade institucional, onde o lucro da exploração de recursos naturais é frequentemente revertido para o financiamento de conflitos armados e violações sistemáticas de direitos humanos. O caso da mineradora russa Alrosa exemplifica essa cumplicidade empresarial estrutural, associando a comercialização de gemas à manutenção da capacidade bélica estatal em agressões militares. OBJETIVOS: O objetivo geral da pesquisa foi analisar a viabilidade jurídica de responsabilização individual de dirigentes empresariais perante a jurisdição do Tribunal Penal Internacional. Entre os objetivos específicos, buscou-se investigar os vínculos entre o poder econômico e o financiamento de guerras no Sul Global, examinar a eficácia de marcos regulatórios como o Estatuto de Roma e o Processo de Kimberley, e avaliar a aplicabilidade do conceito de Joint Criminal Enterprise (JCE) como ferramenta de extensão da culpa. MATERIAIS E MÉTODO: A investigação pautou-se em uma abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, utilizando procedimentos de pesquisa bibliográfica e documental. Foram analisados relatórios das Nações Unidas, sanções internacionais, jurisprudência do Tribunal para a ex-Iugoslávia e textos normativos em bases de dados como Scopus e JSTOR. A metodologia centrou-se na análise de conteúdo e na interpretação dogmática dos artigos 25 e 30 do Estatuto de Roma. RESULTADOS: Os dados revelam que a extração de diamantes opera sob uma lógica de neocolonialismo econômico, transformando seres humanos em recursos descartáveis. Verificou-se que mecanismos voluntários de certificação possuem força coercitiva limitada frente às elites financeiras. O estudo confirmou que a ferramentada JCE é plenamente viável para conectar a decisão administrativa do CEO ao plano comum criminoso, superando a barreira da execução física dos atos. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A pesquisa confirmou que o arcabouço normativo internacional permite a punição de líderes não estatais que contribuem dolosamente para atrocidades. Embora existam limitações práticas ligadas à soberania e à necessidade de cooperação estatal para obtenção de provas, o fortalecimento da justiça penal internacional sobre atores econômicos é essencial para garantir a prevalência dos direitos humanos sobre os interesses corporativos e romper com a impunidade histórica das elites globais envolvidas em dinâmicas de violência estrutural.

PALAVRAS-CHAVE: Tribunal Penal Internacional; Responsabilidade Corporativa; Diamantes de Sangue; Alrosa; Joint Criminal Enterprise.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida na modalidade voluntária no programa PIBIC.

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