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AVALIAÇÃO DA ANGIOTOMOGRAFIA CORONARIANA COMO PREDITOR INDEPENDENTE DE MORTALIDADE CARDIOVASCULAR

COSTA, Guilherme Alves Mariath¹; MUGNAINI, Márcia Lima de Oliveira²; FARIA NETO, Jose Rocha³
Curso do(a) Estudante: Medicina – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Medicina – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A Doença Arterial Coronariana é uma das principais causas de mortalidade cardiovascular no mundo. A Angiotomografia Coronariana (Angio-TC) consolidou-se como método diagnóstico não invasivo para avaliação da anatomia coronariana, permitindo a identificação de placas ateroscleróticas calcificadas e não calcificadas e a quantificação do grau de estenose. Apesar dessa consolidação, seu valor prognóstico independente sobre a mortalidade cardiovascular permanece pouco esclarecido, uma vez que a maioria dos estudos disponíveis utiliza desfechos compostos e poucos comparam diretamente a Angio-TC ao Escore de Cálcio em uma mesma coorte. OBJETIVOS: Analisar o papel da Angio-TC como preditor independente de mortalidade cardiovascular, avaliando a associação entre seus achados anatômicos e o desfecho, verificando se placas obstrutivas e não obstrutivas se associam a maior risco e contribuindo para a construção de modelos preditivos de risco cardiovascular. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo observacional retrospectivo com 2.784 pacientes submetidos à Angio-TC em centro de diagnóstico por imagem de Curitiba, entre janeiro de 2012 e outubro de 2021. Os achados foram classificados em normais, não obstrutivos e obstrutivos, considerando-se obstrutiva a estenose igual ou superior a 50%. O desfecho primário foi a mortalidade cardiovascular, definida pelos códigos I00-I99 da CID-10 e verificada por meio do Sistema de Informação sobre Mortalidade. Foram realizadas análises descritivas, curvas de sobrevida de KaplanMeier, regressão de Cox univariada e multivariada e avaliação da capacidade preditiva por curvas ROC RESULTADOS: Ocorreram 68 óbitos cardiovasculares (2,4%). Achados obstrutivos foram mais frequentes entre os pacientes que evoluíram para óbito do que entre os demais (45,6% contra 15,9%; p<0,001), observando-se gradiente de risco crescente conforme a gravidade do achado. Na análise multivariada, a Angio-TC obstrutiva manteve-se independentemente associada ao desfecho após ajuste por idade, sexo, hipertensão arterial e sedentarismo, e também após a inclusão do Escore de Cálcio no modelo. As áreas sob a curva ROC foram semelhantes entre os modelos testados, variando de 0,678 a 0,696; entretanto, o teste de razão de verossimilhança demonstrou ganho significativo com a inclusão da Angio-TC em modelo já contendo o Escore de Cálcio, o que não se verificou no sentido inverso. O valor prognóstico manteve-se em pacientes assintomáticos. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A Angio-TC demonstrou valor prognóstico independente para mortalidade cardiovascular, não 3 integralmente capturado pelo Escore de Cálcio, inclusive em pacientes sem sintomas. O desempenho discriminatório apenas moderado dos modelos reforça que o método deve integrar uma avaliação de risco multifatorial. O papel prognóstico das placas não obstrutivas permaneceu inconclusivo.

PALAVRAS-CHAVE: Angiografia por Tomografia Computadorizada; Doença da Artéria Coronariana; Mortalidade; Prognóstico; Escore de Cálcio.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida com bolsa PUCPR no programa PIBIC.

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