ANÁLISE DOS REFERENCIAIS TEÓRICOS DO CAMPO DA PSICOLOGIA NOS CUIDADOS EM SAÚDE PARA A POPULAÇÃO TRAVESTI E TRANSEXUAL
INTRODUÇÃO: Os processos de marginalização e as violências cometidas contra pessoas trans e travestis são históricas, reforçadas por um sistema binário de gênero que beneficia um segmento da sociedade, e que já foram apoiadas por discursos científicos hegemônicos para justificar e naturalizar a desumanização e patologização dessas identidades. Tais aspectos afetam diretamente no desenvolvimento de cuidados em saúde para essa população, que, principalmente para a Psicologia, pode acabar por se basear em referenciais normativos que só reforçam estereótipos. OBJETIVOS: Desta forma, busca-se analisar as contribuições teórico-metodológicos que envolvam o papel da Psicologia no cuidado em saúde à população trans e travesti a partir da sistematização de referenciais bibliográficos em relação aos modos de conceituar as expressões de identidade para essas populações e os efeitos nas práticas de cuidado. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo, realizada nas bases de dados Pepsic, PubMed, CAPES Periódicos e Biblioteca Virtual de Saúde. Ao todo foram encontrados 155 materiais concernentes aos objetivos e, após efetuar os critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 15 estudos. RESULTADOS: Dos materiais selecionados, apenas três pesquisas realizaram revisões teóricas, enquanto os outros 12 estudos foram feitos de maneira prática e com enfoque multiprofissional, visando especialmente nas instituições de saúde, sendo que apenas dois artigos sinalizam outros espaços como possibilidades de cuidado em saúde. Ademais, as pesquisas realizadas em campo utilizaram de entrevistas semiestruturadas com usuários ou profissionais dos serviços, possibilitando analisar as percepções dos participantes acerca dos atendimentos e atuações profissionais. Em geral, destaca-se a adoção do termo ‘transgênero’ em cinco artigos para se referir às pessoas trans e travestis, visando serem mais inclusivos a se referirem a quaisquer identidades que não sigam a norma cisgênero, porém obteve-se também quatro conceituações sobre o termo transexualidade e duas sobre travestis. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que as conceituações acerca das travestilidades e transexualidades se alinham a perspectivas construcionistas sobre gênero e sexualidade, buscando evitar limitar as experiências acerca da identidade de gênero e combater a patologização dessas vivências, porém a prática profissional não tem acompanhado no mesmo ritmo essas mudanças devido à falta de domínio sobre o campo, propiciado pela carência de referências e debates desta temática dentro das instituições de ensino, acarretando na perpetuação de lógicas normativas e discriminatórias nas práticas profissionais.
PALAVRAS-CHAVE: Gênero; Psicologia; Assistência à saúde; Transexual; Travesti.
Votação encerrada.