A RODA VIVA DE CHICO BUARQUE À LUZ DA SOCIEDADE DO ESPETÁCULO DE GUY DEBORD: REFLEXÕES CRÍTICAS SOBRE ARTE E MÍDIA NO CONTEXTO DA DITADURA CIVIL MILITAR BRASILEIRA
INTRODUÇÃO: A década de 1960 foi marcada pelo desenvolvimento tecnológico, pelas disputas ideológicas da Guerra Fria e, no Brasil, pelo golpe civil-militar de 1964, que instaurou a ditadura. Nesse contexto, Chico Buarque escreveu a peça Roda Viva, comédia musical que acompanha a trajetória do artista Benedito, explorado e reposicionado por seus empresários Anjo e Capeta; as ações e falas do enredo revelam aspectos socioeconômicos da sociedade da época na construção da tragédia do protagonista, que, após perder sua identidade sob pressão constante, é descartado e substituído após sua morte. OBJETIVOS: Esta pesquisa teve como objetivo geral analisar a peça à luz da sociedade do espetáculo, estabelecendo reflexões críticas sobre arte e mídia no contexto da ditadura civil-militar brasileira, e como objetivos específicos analisar o roteiro em diálogo com a teoria da sociedade do espetáculo, levantar aproximações intertextuais entre o protagonista e a obra Fausto, de Goethe, discutir a contribuição do imperialismo cultural norte-americano para o apagamento da produção cultural brasileira, refletir sobre a importância da cultura e da produção midiática para o exercício democrático, mapear o contexto sociopolítico brasileiro na década de 1960 e relacionar essas conclusões à sociedade contemporânea, sobretudo quanto ao funcionamento das redes sociais. MATERIAIS E MÉTODO: A pesquisa fundamentou-se no materialismo dialético, a partir da leitura de autores centrais e complementares e da elaboração de fichamentos periódicos, organizados em eixos temáticos históricos, iconográficos, sociológicos, psicológicos e contemporâneos, consolidados na produção sistemática de relatórios comparativos entre o enredo teatral e as teorias estudadas. RESULTADOS: Os resultados evidenciaram aproximações entre os valores conservadores do regime militar e os do modo de vida norte-americano, difundidos por meio de políticas de hegemonia geopolítica, além da massificação do entretenimento televisivo como instrumento de exploração do sujeito, cuja alienação perante a mercadoria e cuja recepção passiva de ideologias autoritárias normatizam formas de violência simbólica na cultura. Evidenciou-se, ainda, a relevância da produção artística por sua capacidade de promover diálogos, gerar reflexões sobre as distorções do governo autoritário e mobilizar a população explorada, bem como as aproximações entre os seres fantásticos da peça e os agentes do capitalismo industrial europeu, que revelam a permanência da exploração tanto na promoção da mercadoria idealizada quanto na sustentação de ideais autoritários. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que a crítica social proposta por Roda Viva se mantém atual, na medida em que os mecanismos de espetacularização, alienação e controle discutidos na peça encontram correspondência nas dinâmicas contemporâneas das redes sociais e do cenário político brasileiro, o que reforça a relevância da produção artística como instrumento de reflexão crítica e de resistência cultural.
PALAVRAS-CHAVE: Roda Viva; Chico Buarque; Ditadura militar; Sociedade do espetáculo; Teatro político brasileiro.
Votação encerrada.