CORRELATOS DA ATIVIDADE FÍSICA EM ADULTOS BRASILEIROS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
INTRODUÇÃO: A prática regular de atividade física está associada à prevenção e ao controle de doenças crônicas, mas a pandemia de COVID-19 impôs restrições de circulação e o fechamento de espaços públicos que alteraram os hábitos de vida da população, com aumento do tempo em comportamento sedentário e redução da prática de atividade física. Apesar do crescimento das publicações sobre o tema, os estudos conduzidos ainda não haviam sido sumarizados de forma sistemática, e os correlatos da atividade física nesse período específico permaneciam pouco conhecidos. OBJETIVOS: Descrever os correlatos da atividade física durante a pandemia de COVID-19. MATERIAIS E MÉTODO: Revisão sistemática conduzida em conformidade com as diretrizes PRISMA, com busca em nove bases de dados eletrônicas e sem limite para o ano de publicação. A triagem por títulos e resumos e a seleção por leitura na íntegra foram realizadas por pares de revisores independentes na plataforma Rayyan. Foram incluídos artigos originais, com abordagem quantitativa, com amostras de adultos e idosos e que tenham testado a associação entre qualquer variável com a atividade física e realizado durante o período da pandemia. Para este plano de trabalho foram selecionados apenas os estudos cuja coleta de dados ocorreu durante a pandemia. A extração dos dados foi realizada em planilha eletrônica, sendo extraídas todas as associações de cada um dos estudos, identificando as variáveis testadas, nível de significância das associações, e, no caso das associações significativas, a direção das associações. Desta forma, a unidade de análise adotada foi a associação entre um possível correlato e o nível de atividade física. Para sumarização dos resultados foi calculado a proporção de associações sem associação significativa e significativa considerando a direção da associação (positiva e negativa). Somente foram interpretadas as variáveis com no mínimo 4 associações testadas. RESULTADOS: Foram identificados e incluídos 23 estudos, majoritariamente transversais, com maior parte com coleta de dados entre 2020 e 2021 e amostras que somaram 142.186 participantes. Todos os desfechos foram mensurados por questionário, com predomínio da avaliação da atividade física global. Nestes estudos, foram testadas 358 associações, das quais 211 (64,5%) não apresentaram significância estatística, 96 (29,4%) foram negativas e 20 (6,1%) positivas. As categorias mais investigadas foram sintomas pós-COVID, doenças crônicas não transmissíveis, idade, nível socioeconômico e saúde mental. Maiores proporções de associação negativa ocorreram para hábitos alimentares, percepção de saúde, consumo de álcool, renda e escolaridade. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A produção científica brasileira sobre correlatos da atividade física durante a pandemia mostrou-se escassa e metodologicamente frágil, o que limita a generalização dos achados. As evidências disponíveis sugerem menores níveis de atividade física entre pessoas de menor renda e escolaridade e entre aquelas com pior saúde mental, mas o panorama descrito reflete a literatura existente e não necessariamente o comportamento da população brasileira no período.
PALAVRAS-CHAVE: Atividade física; COVID-19; Revisão sistemática; Correlatos; Brasil.
Votação encerrada.