CARACTERIZAÇÃO DAS CAMADAS DE TIO2 FUNCIONALIZADAS POR OXIDAÇÃO ELETROLÍTICA A PLASMA COM IONS BIOATIVOS E BACTERICIDAS
INTRODUÇÃO: Os implantes de titânio são amplamente utilizados em aplicações biomédicas devido à sua biocompatibilidade e resistência à corrosão, mas ainda enfrentam desafios relacionados a infecções bacterianas e à baixa eficiência de osseointegração. A oxidação eletrolítica a plasma (PEO) é uma técnica eficaz para modificar a superfície do titânio, permitindo a incorporação de íons bioativos e bactericidas às camadas de óxido formadas. OBJETIVOS: Este trabalho teve como objetivo avaliar as propriedades biológicas de camadas de TiO2 obtidas por PEO com incorporação de íons de Ca, P, Mg, Sr, Zn e I, por meio de ensaios de biocompatibilidade celular e de atividade antibacteriana. MATERIAIS E MÉTODO: Discos de titânio puro grau 4 foram tratados por PEO em modo potenciostático (2 A, 350 V, corrente contínua, 60 s), utilizando eletrólitos à base de hipofosfito de cálcio combinados a acetatos de Ca, Mg, Sr e Zn, além de iodeto de potássio (KI). As camadas foram caracterizadas por Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) e Espectroscopia de Energia Dispersiva (EDS). A biocompatibilidade foi avaliada por ensaios de citotoxicidade e viabilidade celular (Alamar Blue) em fibroblastos, e a atividade antibacteriana foi avaliada frente a Streptococcus oralis, Escherichia coli e a um modelo polimicrobiano, por meio de contagem de unidades formadoras de colônia, ensaio metabólico de XTT e microscopia confocal (Live/Dead). RESULTADOS: As análises de MEV e EDS confirmaram a formação de camadas porosas com incorporação dos elementos dos eletrólitos, sendo a amostra de estrôncio a que apresentou maior percentual incorporado (18,1% em peso). Nenhuma das superfícies modificadas apresentou citotoxicidade relevante frente a fibroblastos, e o estrôncio se destacou como o eletrólito mais favorável à viabilidade celular ao longo de 7 dias. Quanto à atividade antibacteriana, o zinco apresentou o desempenho mais consistente, reduzindo a adesão e a formação de biofilme para as três condições avaliadas, seguido pelo magnésio, que apresentou efeito antibacteriano secundário e mais tardio. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os resultados indicam que o processo de PEO permite produzir camadas de óxido de titânio biocompatíveis e com propriedades biológicas distintas conforme o eletrólito utilizado, sendo o estrôncio mais favorável à resposta celular e o zinco mais eficaz contra a colonização bacteriana, o que reforça o potencial de eletrólitos combinados para o desenvolvimento de revestimentos multifuncionais em trabalhos futuros.
PALAVRAS-CHAVE: Titânio; Oxidação eletrolítica por plasma; Biocompatibilidade; Atividade antibacteriana; Tratamento superficial.
Votação encerrada.