ESTUDO DA PREVALÊNCIA DE DOENÇAS OCULARES DIAGNOSTICADAS NA UNIDADE DE ESTABILIZAÇÃO DE ANIMAIS MARINHOS – UNIDADE PENHA/SC – UNIVALI ENTRE 2020 E 2026.
INTRODUÇÃO: Os ecossistemas marinhos possuem uma vasta diversidade biológica e desempenham papel fundamental no equilíbrio ambiental. As alterações oftalmológicas podem comprometer funções essenciais à sobrevivência de animais marinhos de vida livre, mas sua frequência em centros de estabilização ainda é pouco documentada. Este estudo retrospectivo e descritivo caracterizou as alterações oftalmológicas registradas nos prontuários de animais marinhos atendidos na Unidade de Estabilização de Animais Marinhos de Penha/SC – UNIVALI entre 2020 e 2025. OBJETIVOS: Estimar a proporção de atendimentos com pelo menos uma alteração oftalmológica registrada entre os animais marinhos atendidos na Unidade de Estabilização de Animais Marinhos – Penha/SC – UNIVALI, entre 2020 e 2025, e caracterizar descritivamente o perfil taxonômico e clínico dos casos. Descrever os achados oftalmológicos registrados e agrupá-los segundo a estrutura anatômica ou a categoria clínica correspondente. Descrever a distribuição dos casos entre aves, répteis e mamíferos marinhos e entre as espécies representadas na casuística. Identificar os achados oftalmológicos mais frequentemente registrados nos prontuários. Avaliar a completude dos registros dos reflexos pupilar e corneano, conforme as informações disponíveis nos prontuários. MATERIAIS E MÉTODO: Foram revisados 1.881casos, dos quais 547 apresentavam pelo menos uma alteração oftalmológica documentada, correspondendo a 29,1% dos atendimentos (IC 95%: 27,1–31,2%).Essa medida deve ser interpretada como proporção de atendimentos com alteração registrada, pois o caráter retrospectivo e a ausência de um protocolo oftalmológico uniforme não permitem assegurar que todos os animais tenham sido examinados de maneira equivalente RESULTADOS: Entre os 1.881 atendimentos registrados, 547 (29,1%; IC 95%: 27,1–31,2%) apresentavam pelo menos uma alteração oftalmológica documentada. O resultado indica que achados oculares constituíram componente frequente dos prontuários da Unidade. Em análise descritiva complementar, que incluiu três casos identificados em 2026, as aves representaram 90,2% da casuística, os répteis 8,5% e os mamíferos marinhos 1,3%. Larus dominicanus , Spheniscus magellanicus e Chelonia mydas foram as espécies mais representadas entre os casos. Entre os animais com alteração ocular, 80,2% possuíam pelo menos outra condição clínica; esse resultado demonstra coocorrência, sem estabelecer associação causal. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Entre 2020 e 2025, 547 dos 1.881 atendimentos apresentaram pelo menos uma alteração oftalmológica registrada, correspondendo a 29,1% dos atendimentos. Esse valor deve ser interpretado como proporção de registros, e não necessariamente como prevalência clínica real, diante da natureza retrospectiva e da ausência de comprovação de exame ocular padronizado em todos os animais.Na casuística descritiva, as aves e Larus dominicanus foram os grupos mais representados, e o parasitismo ocular constituiu o achado mais frequente. Esses resultados refletem a composição dos casos atendidos e não demonstram maior risco por grupo ou espécie sem os respectivos denominadores.A maioria dos casos possuía pelo menos outra condição clínica registrada. Esse achado evidencia coocorrência, mas o delineamento não permite estabelecer associação estatística ou causal entre as alterações sistêmicas e oftalmológicas.A implementação de protocolo oftalmológico prospectivo, com definições diagnósticas padronizadas, permitirá estimativas mais válidas e comparações entre espécies, anos e regiões.
PALAVRAS-CHAVE: oftalmologia veterinária; animais marinhos; reabilitação de fauna; medicina zoológica; saúde única.
Votação encerrada.