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AVALIAÇÃO DO ESCORE DE CÁLCIO COMO PREDITOR INDEPENDENTE DE MORTALIDADE CARDIOVASCULAR

BINOTTO, Pedro Henrique Brambila Rodrigues¹; MUGNAINI, Márcia Lima de Oliveira²; FARIA NETO, Jose Rocha³
Curso do(a) Estudante: Medicina – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Medicina – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: O Escore de Cálcio Coronariano (EC) é amplamente utilizado na estratificação de risco cardiovascular em indivíduos assintomáticos de risco intermediário, mas seu valor prognóstico independente especificamente para mortalidade cardiovascular, em oposição a desfechos compostos que incluem eventos não fatais, permanece comparativamente pouco explorado, sobretudo em populações latino-americanas. OBJETIVOS: Avaliar a associação do EC como preditor independente de mortalidade cardiovascular, investigando a relação entre diferentes faixas do EC e o desfecho, seu valor prognóstico frente aos fatores de risco cardiovasculares tradicionais, e o papel do EC=0 como marcador de menor risco. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo observacional, retrospectivo, de coorte, com dados secundários de pacientes submetidos ao EC em centro de referência em diagnóstico por imagem em Curitiba-PR, entre janeiro de 2012 e outubro de 2021. A amostra inicial de 4.208 pacientes foi reduzida a 2.784 após exclusão de indivíduos com idade inferior a 18 anos, revascularização miocárdica prévia ou dados clínicos incompletos. O desfecho primário — óbito cardiovascular (CID I00-I99) — foi obtido por linkagem com o Sistema de Informação sobre Mortalidade, e pacientes vivos ao final do seguimento foram censurados. A associação entre o EC e a mortalidade foi avaliada por análise bivariada, curvas de sobrevida de Kaplan-Meier e regressão de Cox univariada e multivariada, esta última ajustada pelos principais fatores de risco cardiovasculares após verificação de ausência de colinearidade relevante entre as covariáveis. As estimativas foram expressas em razão de risco (Hazard Ratio, HR) com respectivo intervalo de confiança de 95% (IC95%), e considerou-se estatisticamente significativa a associação com p<0,05. RESULTADOS: Foram identificados 68 (2,4%) óbitos cardiovasculares, 188 (6,8%) óbitos por outras causas e 2.528 (90,8%) pacientes vivos ou censurados. Observou-se gradiente significativo entre as faixas do EC e o desfecho (χ²=44,223; p<0,001), com risco expressivamente maior na faixa EC≥400 em relação a EC=0 (HR=5,436; IC95% 2,962–9,973; p<0,001). Na análise univariada, idade, hipertensão arterial sistêmica e sedentarismo também se associaram a maior risco de óbito cardiovascular, ao passo que diabetes mellitus e tabagismo não atingiram significância estatística. Após ajuste por idade, sexo, hipertensão arterial sistêmica e sedentarismo, o EC≥400 manteve-se preditor independente (HR=2,620; IC95% 1,563–4,392; p<0,001), com capacidade discriminativa do modelo de AUC=0,678 (IC95% 0,608–0,749). Pacientes com EC=0 representaram 41,8% da amostra, mas apenas 23,5% dos óbitos cardiovasculares, e apresentaram o maior tempo médio de sobrevida entre as faixas avaliadas. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O Escore de Cálcio Coronariano mostrou-se preditor independente e robusto de mortalidade cardiovascular nesta coorte, mantendo valor prognóstico mesmo após ajuste por fatores de risco tradicionais, e confirmando o EC=0 como marcador consistente de menor risco. Esses achados reforçam a utilidade do EC como ferramenta acessível, de baixo custo e sem necessidade de contraste iodado, para a estratificação prognóstica de mortalidade cardiovascular, complementar à sua já reconhecida aplicação na predição de eventos coronarianos não fatais.

PALAVRAS-CHAVE: Escore de Cálcio; Mortalidade Cardiovascular; Doença Arterial Coronariana; Fatores de Risco; Prognóstico.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida na modalidade voluntária no programa PIBIC.

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