ANÁLISE DA QUALIDADE DE VIDA E SEXUALIDADE EM MULHERES COM CÂNCER DE COLO DE ÚTERO: CIRURGIA RADICAL VS. RADIOTERAPIA E QUIMIOTERAPIA COMBINADAS
INTRODUÇÃO: O câncer de colo de útero é a quarta neoplasia maligna mais incidente e a quarta principal causa de morte por câncer entre as mulheres. O tratamento tem intenção curativa em mais de 80% dos casos, entretanto pode impactar a qualidade de vida, com repercussões físicas, emocionais, sociais e sexuais. A avaliação desses fatores pode orientar um cuidado mais integral e centrado nas necessidades das pacientes sobreviventes ao câncer. OBJETIVOS: Analisar e comparar a qualidade de vida, com foco na sexualidade, entre mulheres com câncer de colo de útero tratadas com histerectomia radical; quimioterapia, radioterapia e braquiterapia; ou histerectomia com radioterapia. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo transversal, analítico e prospectivo, baseado na aplicação e análise de questionários de qualidade de vida (MDASI, FACT-CX, FSFI e questionário de fatores de risco). Participaram do estudo 219 mulheres com câncer de colo de útero, em um intervalo de tempo de novembro de 2022 até julho de 2026. As comparações entre as três modalidades de tratamento foram realizadas pelo teste de Kruskal-Wallis, com o tamanho de efeito estimado pelo épsilon quadrado (ε²). Nos desfechos com resultado significativo, aplicaram-se comparações múltiplas pareadas post-hoc de Dwass-Steel-Critchlow-Fligner (DSCF). Adotou-se um nível de significância de 5% (p<0,05). RESULTADOS: Na amostra, 109 (49,8%) foram tratadas com quimioterapia, radioterapia e braquiterapia, 70 (32%) com histerectomia isolada, 29 (13,2%) com histerectomia e radioterapia e 11 (5%) com outras terapias . Houve diferenças significativas nos sintomas entre os grupos de quimiorradioterapia definitiva (quimio+radio+braqui) e a histerectomia isolada; em comparação com a cirurgia isolada, o grupo (quimioterapia, radioterapia e braquiterapia) apresentou piores sintomas físicos (p=0,003), maior interferência de sintomas (p=0,023), maior dor/dispareunia (p=0,006), menor desejo sexual (p=0,004), menor função sexual global (p=0,044), menor bem-estar físico (p=0,001) e pior qualidade de vida específica cervical (p=0,029). As comparações envolvendo a histerectomia com radioterapia/braquiterapia adjuvante não foram significativas. CONSIDERAÇÕES FINAIS: As pacientes submetidas à combinação de quimioterapia, radioterapia e braquiterapia apresentaram pior desfecho na qualidade de vida e maior comprometimento da função sexual em comparação àquelas tratadas apenas com histerectomia. Esses achados reforçam a importância de orientar as pacientes sobre as possíveis repercussões do tratamento, favorecendo o preparo para as mudanças físicas, emocionais e sexuais decorrentes da terapêutica.
PALAVRAS-CHAVE: Neoplasias do Colo do Útero; Qualidade de Vida; Sexualidade; Questionário de Saúde do Paciente; Estudos Longitudinais.
Votação encerrada.