TOLERÂNCIA À INCERTEZA E SUA RELAÇÃO COM A METACOGNIÇÃO EM ESTUDANTES DE MEDICINA EM UMA INSTITUIÇÃO PARTICULAR DE CURITIBA
INTRODUÇÃO: A formação médica caracteriza-se por elevada complexidade, exigindo que estudantes tomem decisões diante de informações incompletas, diagnósticos incertos e situações clínicas ambíguas. Nesse contexto, a tolerância à incerteza e a metacognição emergem como competências fundamentais para o desenvolvimento do raciocínio clínico e para a aprendizagem autorregulada, sendo que a intolerância à incerteza tem sido associada a maior ansiedade, burnout e prejuízo na tomada de decisão clínica, enquanto a metacognição favorece a autonomia intelectual, o pensamento crítico e a adaptação frente aos desafios da prática médica. OBJETIVOS: Analisar a associação entre tolerância à incerteza e consciência metacognitiva em estudantes de Medicina de uma universidade privada de Curitiba, Paraná, verificando os graus de aceitação da ambiguidade clínica, quantificando as competências metacognitivas, comparando estudantes do ciclo básico e clínico e investigando o potencial preditivo da metacognição sobre a tolerância à incerteza. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo observacional, transversal e quantitativo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Paraná sob CAAE nº 87881225.1.0000.0020, desenvolvido com 90 estudantes regularmente matriculados entre o primeiro e o sexto ano do curso de Medicina. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário eletrônico estruturado, composto por informações sociodemográficas, pela Escala de Tolerância à Ambiguidade para Estudantes de Medicina e Médicos (TAMSAD) e pelo Inventário de Consciência Metacognitiva (MAI), com análises realizadas no IBM SPSS Statistics versão 25, adotando-se nível de significância de 5%. RESULTADOS: Os resultados demonstraram média de 45,89 ± 7,78 pontos na TAMSAD, indicando níveis moderados de tolerância à incerteza, e média de 38,24 ± 8,48 pontos no MAI, sugerindo desenvolvimento satisfatório das habilidades metacognitivas. A análise de correlação revelou associação positiva extremamente fraca e sem significância estatística entre os dois construtos (r = 0,060; p = 0,573). A comparação entre os ciclos básico e clínico não demonstrou diferença significativa quanto à tolerância à incerteza (t = 1,22; p = 0,230), contudo identificou diferença estatisticamente significativa nos níveis de metacognição (t = −2,09; p = 0,041). A análise de regressão linear confirmou que a metacognição não constituiu fator preditor significativo da tolerância à incerteza. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os resultados indicam que tolerância à incerteza e metacognição são competências relevantes para a formação médica, porém desenvolvem-se de maneira relativamente independente, sendo a tolerância à incerteza provavelmente influenciada por múltiplos fatores como experiências clínicas, inteligência emocional e resiliência. Esses achados reforçam a necessidade de estratégias pedagógicas que estimulem o enfrentamento da incerteza de forma ampla, por meio de metodologias ativas, simulações clínicas e atividades reflexivas supervisionadas, sendo recomendados estudos longitudinais e multicêntricos para aprofundar a compreensão desses construtos na formação médica brasileira.
PALAVRAS-CHAVE: Tolerância à incerteza; Metacognição; Educação médica; Formação médica; Aprendizagem autorregulada.
Votação encerrada.