CORPOS À MARGEM: A PROSTITUIÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE CHEFIA FAMILIAR FEMININA
INTRODUÇÃO: O estudo parte da constatação de que muitas mulheres recorrem à prostituição como alternativa de sobrevivência e chefia familiar em meio à pobreza, desigualdade de gênero e exclusão social. Essa prática, marcada por estigmas e marginalização, revela tanto a exploração estrutural quanto formas de resistência e agência feminina. OBJETIVOS: O Objetivo geral da pesquisa, é Investigar como as condições sociais precárias moldam as subjetividades e experiências de mulheres chefes de família que exercem a prostituição, identificando suas histórias de vida e explorando suas representações de si mesmas enquanto pessoas humanas e sujeitas de Direitos Fundamentais, Sociais e Humanos. A pesquisa se organiza em quatro eixos principais, considerados os objetivos específicos: identificar as motivações socioeconômicas que levam mulheres chefes de família à prostituição; discutir o conceito de estigma e sua relação com a desqualificação social das trabalhadoras sexuais; analisar a memória coletiva construída em torno das prostitutas, marcada por preconceitos, mas também por narrativas de resistência; e avaliar as políticas públicas voltadas às prostitutas no Brasil, seus avanços, limites e desafios. MATERIAIS E MÉTODO: A metodologia adotada foi qualitativa, baseada em pesquisa bibliográfica e documental, com análise crítica de obras clássicas e contemporâneas que abordam a prostituição sob perspectivas sociológicas, feministas, históricas e políticas. Foram consultados artigos acadêmicos, livros e relatórios institucionais, além de depoimentos de lideranças do movimento de prostitutas, permitindo articular teoria e realidade brasileira RESULTADOS: Os resultados parciais indicam que a prostituição, longe de ser uma escolha livre, constitui estratégia de sobrevivência diante da ausência de políticas públicas eficazes, da desigualdade salarial, da baixa escolaridade e da falta de oportunidades profissionais. Apesar de garantir sustento imediato, expõe as mulheres à estigmatização e à invisibilidade social. A memória coletiva reforça preconceitos, mas também abriga narrativas de resistência que reivindicam cidadania e reconhecimento. As políticas públicas, embora tenham avançado especialmente no campo da saúde, permanecem insuficientes diante da criminalização das práticas relacionadas e da ausência de regulamentação da atividade. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O estudo evidencia que compreender a prostituição exige reconhecer sua inserção em estruturas patriarcais e capitalistas que perpetuam desigualdades, mas também valorizar as estratégias de resistência das mulheres que desafiam o imaginário social dominante. A relevância da pesquisa está em dar visibilidade às experiências dessas trabalhadoras, ampliando o debate sobre gênero, trabalho e marginalidade, e apontando para a necessidade de políticas públicas estruturais que garantam cidadania plena e direitos sociais às prostitutas.
PALAVRAS-CHAVE: Prostituição; Chefia familiar feminina; Estigma; Memória coletiva; Políticas públicas.
Votação encerrada.