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RELAÇÃO ENTRE INGESTÃO DE MEDICAMENTOS E FRAGILIDADE CLÍNICA EM PACIENTES DE UTI

TIBA, Taher¹; NAKATAMI, Amanda Cristina Kosezinski N²; MOSER, Auristela Duarte de Lima³
Curso do(a) Estudante: Medicina – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Fisioterapia – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A polifarmácia, caracterizada pelo uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos, tem se tornado um fenômeno cada vez mais prevalente, especialmente no cenário das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). A polifarmácia pode ser apropriada e inteiramente justificada. No entanto, o termo polifarmácia frequentemente recebe uma conotação negativa e é adotada para descrever a condição prejudicial definida pela prescrição de um ou mais medicamentos que não são mais necessários para o paciente. (Wang et al., 2022) OBJETIVOS: 2.1 OBJETIVO GERALAvaliar a relação entre a ingestão de medicamentos e a fragilidade clínica em pacientes de UTI, após 06 meses de alta.2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOSDescrever as características epidemiológicas dos pacientes na admissão.Descrever as características de procedimentos realizados e desfecho na UTI.Avaliar a variação de fragilidade dos pacientes em 03 e 06 meses após a alta da UTI e sua relação com a polifarmácia. MATERIAIS E MÉTODO: Coorte prospectiva.Foram incluídos de forma consecutiva todos os pacientes maiores de 18 anos na admissão de UTI, com previsão de permanência de mais de 48 horas na UTI e que aceitaram participar do estudo. RESULTADOS: Na admissão, a mediana da Escala Clínica de Fragilidade (ECF) foi de 3 pontos, classificando a maioria dos pacientes como regular (35%) ou vulnerável (22%). Vinte e nove pacientes (19%) já eram considerados frágeis (ECF ≥ 5) no momento da admissão à UTI. Durante o seguimento, 43 pacientes (28%), foram reinternados, 27 (18%) foram a óbito (8 ainda na UTI, 7 antes de 30 dias, 5 antes de 90 dias e 7 após 90 dias) e 11 (7%) desistiram do estudo. O número de medicamentos foi avaliado nos momentos de 30 dias, 3 meses e 6 meses após a alta da UTI. Observou-se mediana de 7 medicamentos (IQR 5–11) aos 30 dias, aumentando discretamente para 8 medicamentos (IQR 5–10) aos 3 meses e mantendo-se em 8 (IQR 6–11) aos 6 meses, sem diferença estatisticamente significativa entre os momentos (Kruskal-Wallis, p = 0,619). A prevalência de polifarmácia permaneceu elevada e estável ao longo do seguimento, variando de 82% (30 dias) a 83% (6 meses), sem diferença significativa entre os momentos (qui-quadrado, p = 0,942). A proporção de pacientes frágeis subiu de 19% na admissão para 29% aos 30 dias após a alta, reduzindo-se parcialmente para 20% aos 3 meses e 21% aos 6 meses, sem retornar ao nível observado na admissão Avaliou-se a associação entre polifarmácia e fragilidade. A comparação isolada entre polifarmácia e fragilidade não atingiu significância estatística em nenhum dos três momentos de seguimento (p = 0,261; p = 0,239; p = 0,760, respectivamente), tampouco na análise agrupada (χ² = 3,23; p = 0,072). Entretanto, ao comparar o número de medicamentos entre os grupos, os pacientes frágeis apresentaram mediana significativamente maior de medicamentos em uso (10; IQR 7–12) do que os não frágeis (7; IQR 5–10) (Mann-Whitney U, p < 0,001). De forma consistente, houve correlação positiva significativa, entre a pontuação na escala de fragilidade e o número de medicamentos (ρ de Spearman = 0,276; p < 0,001). CONSIDERAÇÕES FINAIS: A prevalência estável de polifarmácia encontrada ao longo dos pontos de seguimento foi substancialmente mais alta do que a relatada em coortes de idosos na atenção primária, tanto na literatura internacional quanto em dados nacionais do SUS, o que reforça a hipótese de que a passagem pela UTI atua como um catalisador de acúmulo medicamentoso duradouro.

PALAVRAS-CHAVE: Polifarmácia; Fragilidade; Unidade de Terapia Intensiva; Pacientes Críticos; Internamento.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida com bolsa PUCPR no programa PIBIC.

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