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LIBERDADE DE EXPRESSÃO E A VOZ DO ARTISTA: PSICANÁLISE, MORAL E ARTE.

WEBER, Gabriela Lahm¹; FONSECA, Eduardo Ribeiro da³
Curso do(a) Estudante: Psicologia – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Filosofia – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: O artigo analisa como a arte moderna não emergiu em plena liberdade, mas sob o peso de uma repressão estrutural que reagia a manifestações artísticas desafiadoras do controle social. Recorre-se à teoria psicanalítica para compreender o conflito entre criação e civilização, evidenciando a tendência das instituições em patologizar expressões que confrontam a ordem estabelecida. Aponta-se, ainda, a evolução dos mecanismos repressivos: se no século XIX a censura operava sob dogmas morais e religiosos, no século XX ela se articulou a discursos científicos, ideológicos e raciais, instrumentalizando a noção de ‘degeneração’ para deslegitimar a vanguarda e atacar a identidade do artista. OBJETIVOS: o estudo analisou como as produções artísticas da modernidade se articulam com os processos psicanalíticos de sublimação e repressão a partir das temáticas de Baudelaire, estabelecendo um comparativo entre os conflitos morais vivenciados pelo poeta e os desafios enfrentados por artistas dos séculos XX marcados pela censura e pelas restrições à liberdade de expressão. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo teórico qualitativo mediante levantamento bibliográfico nas bases Scielo, Google Acadêmico e Pepsic, em obras do século XXI e acervo do orientador. Analisaram-se livros e artigos sobre censura na Alemanha e Brasil, utilizando a noção de degenerescência e textos da teoria freudiana acerca da sexualidade e do mal-estar na civilização. RESULTADOS: A análise evidencia que Lasar Segall sofreu repressão estrutural tanto na Alemanha, onde teve obras confiscadas na exposição nazista de Arte Degenerada, quanto no Brasil. Demonstra-se como o conceito de degenerescência foi instrumentalizado para fundamentar o antissemitismo sob uma perspectiva biológica e evolucionista distorcida. Em contraponto a Charles Baudelaire, observa-se uma transição nos mecanismos de controle: enquanto o poeta francês foi censurado por transgredir normas morais de sua época, Segall foi perseguido em sua própria identidade socioexistencial. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que a censura é um fenômeno estrutural e mutável, transformando-se conforme os dispositivos de cada época. A partir da psicanálise, os percursos de Segall e Baudelaire revelam-se reflexo do mal-estar civilizatório, no qual a criação artística sublimada atua como resistência ao evidenciar o que a sociedade insiste em recalcar, questionando projetos autoritários de controle cultural.

PALAVRAS-CHAVE: Censura; Arte Moderna; Psicanálise; Lasar Segall; Degeneração.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida na modalidade voluntária no programa PIBIC.

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