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IMPACTO DO AMBIENTE URBANO NA PREVALÊNCIA DE DOENÇAS MENTAIS: UMA ANÁLISE DOS FATORES PSICOSSOCIAIS E ESPACIAIS

LIRA, Ana Clara Santos¹; GROQUE, Rafael Luigi Guarnieri²; SOUZA, Fabio Teodoro de³
Curso do(a) Estudante: Medicina – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Engenharia Civil – Escola Politécnica – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: O acelerado e contínuo processo de urbanização, associado às transformações microclimáticas, às alterações no uso e ocupação do solo e à degradação ambiental contemporânea, constitui um dos desafios mais complexos, multifacetados e urgentes para a gestão da saúde pública global no século XXI. Portanto, tais dinâmicas demandam investigações epidemiológicas aprofundadas sobre as interações biológicas, ecológicas e territoriais existentes entre os determinantes ambientais urbanos e o perfil de morbimortalidade populacional em regiões metropolitanas. OBJETIVOS: Analisar a associação entre a variação longitudinal de parâmetros meteorológicos e atmosféricos e as taxas de internação hospitalar por transtornos mentais e comportamentais na população residente nos vinte e nove municípios que integram a Região Metropolitana de Curitiba ao longo de uma ampla série histórica compreendida entre os anos de 2015 e 2025 MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de um estudo epidemiológico ecológico e de série temporal embasado na consolidação, triagem, tratamento, limpeza e padronização matricial de dados secundários de grande porte oriundos do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/DATASUS, com foco específico nos diagnósticos nosológicos enquadrados no Capítulo V da Classificação Internacional de Doenças – CID-10), contabilizando o volume total de 64.783 internações hospitalares devidamente processadas na região metropolitana. Esses dados nosológicos foram integrados de forma sistemática e pareada a séries históricas mensais de variáveis climatológicas e de poluentes atmosféricos prioritários, como o material particulado fino em suspensão (MP2,5 e MP10) e o dióxido de nitrogênio (NO2), provenientes das estações automáticas de monitoramento do Simepar, IAT e do Ipardes. De acordo com os dados citados, a análise compreendeu a aplicação de estatística descritiva e matrizes de correlação estatística para séries temporais. RESULTADOS: Os achados evidenciaram uma dinâmica inter-relacionada entre as oscilações térmicas, os picos de contaminação atmosférica por material particulado e as variações sazonais nas admissões hospitalares neuropsiquiátricas, revelando que os estressores microclimáticos e a poluição do ar atuam como importantes fatores ambientais moduladores e gatilhos na descompensação de transtornos do humor e de afecções psiquiátricas na população. Desse modo, foi observado que a capital metropolitana, Curitiba, concentrou 55,5% do volume absoluto dos registros da bacia populacional, enquanto os municípios pertencentes ao primeiro anel periurbano e de forte perfil industrial ou de adensamento populacional (com destaque para Pinhais, São José dos Pinhais, Colombo, Fazenda Rio Grande, Piraquara, Almirante Tamandaré e Araucária) demonstraram elevada sensibilidade relativa aos impactos ecossistêmicos e às emissões atmosféricas acumuladas. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que as variáveis ambientais e a poluição do ar desempenham um papel determinante como condicionantes ecológicos na saúde mental urbana, embora a ausência ou escassez de dados sistemáticos de monitoramento ambiental em diversos municípios que fazem parte da região metropolitana de Curitiba tenha se configurado como uma limitação analítica de muita relevância. Dessa forma, tais achados reforçam a urgente necessidade de expansão da rede de monitoramento da qualidade do ar e de integração de dados meteorológicos nas estratégias de vigilância em saúde pública e no fortalecimento de políticas públicas territoriais de resiliência climática.

PALAVRAS-CHAVE: Saúde Mental; Variáveis Ambientais; Poluição Atmosférica; Monitoramento de Dados; Região Metropolitana de Curitiba.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida com bolsa PUCPR no programa PIBIC.

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