IMPACTO DA POLÍTICA COMERCIAL DOS ESTADOS UNIDOS SOBRE O SETOR SIDERÚRGICO BRASILEIRO
INTRODUÇÃO: A indústria siderúrgica ocupa posição estratégica na economia brasileira por sua integração com cadeias como construção civil, indústria automobilística, infraestrutura, energia e transportes, além de sua relevante inserção internacional. Essa inserção, contudo, torna o setor vulnerável a alterações na política comercial dos Estados Unidos, principal destino externo do aço brasileiro. OBJETIVOS: Analisar os impactos da política comercial dos Estados Unidos sobre o setor siderúrgico brasileiro, com ênfase nas medidas adotadas pelo governo Donald Trump em 2025, considerando sua evolução, a resposta brasileira e os efeitos sobre exportações, produção e emprego. MATERIAIS E MÉTODO: A pesquisa, de caráter descritivo, articulou pesquisa bibliográfica, análise documental e dados secundários. Foram examinados documentos oficiais sobre restrições comerciais e as Proclamações Presidenciais nº 10.896 e nº 10.947. Dados do Comex Stat referentes ao Capítulo 72 do Sistema Harmonizado foram utilizados para analisar o valor FOB e o peso líquido das exportações brasileiras ao mundo e aos Estados Unidos entre 2001 e 2025, com detalhamento mensal entre 2023 e 2025. Também foram considerados dados do Instituto Aço Brasil sobre produção de aço bruto e emprego entre 2021 e 2025. RESULTADOS: A análise histórica identificou recorrência de salvaguardas, medidas antidumping, direitos compensatórios, cotas e tarifas. Em 2025, o encerramento do regime de cotas foi seguido pelo restabelecimento da tarifa adicional de 25% em março e por sua elevação para 50% em junho. Entre junho e agosto, o valor FOB e o peso líquido exportado aos Estados Unidos recuaram aproximadamente 39% e permaneceram em patamares inferiores nos meses seguintes. A resposta brasileira combinou negociação diplomática, instrumentos jurídicos e medidas econômicas de apoio aos setores afetados. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os resultados indicam associação temporal consistente entre o aumento tarifário e a retração das exportações, sem permitir atribuir exclusivamente às tarifas todas as oscilações observadas. A elevada concentração das vendas no mercado norte-americano constitui fragilidade estrutural, reforçando a importância da diversificação de destinos, do fortalecimento da competitividade e da ampliação do valor agregado das exportações.
PALAVRAS-CHAVE: Indústria siderúrgica; Política comercial; Estados Unidos; Exportações brasileiras; Tarifas comerciais.
Votação encerrada.