DISCORDÂNCIA DIAGNÓSTICA ENTRE TESTE DE ESFORÇO NEGATIVO E ESCORE DE CÁLCIO ELEVADO NA ESTRATIFICAÇÃO DA DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA
INTRODUÇÃO: A doença arterial coronariana (DAC) é uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular, sendo frequentemente subdiagnosticada em razão de sua apresentação silenciosa. O teste ergométrico (TE) é amplamente utilizado na prática clínica para investigação de isquemia miocárdica, mas apresenta limitações de acurácia já descritas na literatura, o que reforça a necessidade de avaliar métodos complementares, como o escore de cálcio coronariano (CAC), isolado e em associação ao TE, na estratificação diagnóstica da doença. OBJETIVOS: Avaliar a acurácia diagnóstica do Escore de Cálcio Coronariano, isolado e associado ao Teste Ergométrico na identificação da doença arterial coronariana obstrutiva. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo observacional, transversal e retrospectivo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da PUCPR (CAAE 78927424.9.0000.0020), conduzido na Clínica Fisicor (Curitiba, Brasil). Foram avaliados 1.550 pacientes (764 com DAC e 786 sem DAC) submetidos a Teste Ergométrico e a Escore de Cálcio Coronariano, tendo a Angiotomografia de Coronárias como padrão de referência para a definição de doença obstrutiva. O CAC foi analisado de forma binária (positivo quando ≥100); o TE, como positivo ou negativo para isquemia, conforme a interpretação já registrada em prontuário pelo médico assistente. Foram calculadas sensibilidade, especificidade, valores preditivos positivo e negativo e área sob a curva ROC, isoladamente para cada método e para um modelo combinado (TE + CAC), construído por regressão logística. RESULTADOS: O CAC binário (N=211) apresentou o desempenho abaixo do habitualmente descrito para a forma de classificação mais utilizada na literatura, com sensibilidade de 54,4%, especificidade de 61,6%, VPN de 48,2%, VPP de 67,3% e AUC de 0,61. O modelo combinado (TE + CAC, N=91) apresentou o melhor desempenho, com sensibilidade de 70,7%, especificidade de 54,5%, VPP de 73,2%, VPN de 51,4% e AUC de 0,66, sugerindo complementaridade entre os dois métodos na estratificação diagnóstica da DAC, ainda que com capacidade discriminativa apenas moderada. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O Escore de Cálcio Coronariano isolado apresentou capacidade discriminativa limitada para a detecção de DAC. A combinação dos dois métodos resultou no maior ganho discriminativo entre as abordagens avaliadas, reforçando o potencial de complementaridade entre TE e CAC na estratificação diagnóstica da DAC. Ainda assim, o desempenho do Escore de Cálcio Coronariano, isolado ou combinado ao Teste Ergométrico, permaneceu distante da acurácia atribuída a métodos anatômicos diretos, reforçando a importância de investigar estratégias diagnósticas combinadas e critérios de positividade mais bem calibrados para essa população.
PALAVRAS-CHAVE: Doença coronariana; Teste ergométrico; Escore de cálcio.
Votação encerrada.