“ANÁLISE EXPERIMENTAL DOS IMPACTOS DOS MICROPLÁSTICOS EM TECIDO INTESTINAL SUÍNO: UMA ABORDAGEM EX VIVO”
INTRODUÇÃO: Os microplásticos são contaminantes ambientais amplamente distribuídos, capazes de alcançar o trato gastrointestinal e interagir com a mucosa intestinal. Embora estudos experimentais indiquem possíveis alterações na barreira epitelial, inflamação e estresse oxidativo, seus efeitos sobre explantes intestinais suínos ainda são pouco conhecidos. O suíno apresenta semelhanças anatômicas e fisiológicas com o ser humano, tornando-se um modelo relevante para a investigação da toxicidade intestinal. OBJETIVOS: Avaliar os efeitos histopatológicos agudos da exposição a microplásticos de poliestireno, isoladamente e em associação ao deoxinivalenol, em explantes jejunais suínos mantidos em modelo ex vivo MATERIAIS E MÉTODO: Foram utilizados tecidos jejunais provenientes de três suínos, dos quais foram obtidos explantes padronizados por meio de punchs de biópsia com 6 mm de diâmetro. As amostras foram distribuídas em cinco grupos experimentais: Controle 0 h, fixado imediatamente após a coleta; Controle 4 h, mantido em meio de cultura DMEM; Controle 4 h DON, exposto a 10 µM de DON; MP, exposto a microplásticos de poliestireno na concentração de 0,4 mg/mL; e MP+DON, submetido à exposição combinada. Os grupos incubados foram mantidos durante quatro horas a 37 °C em atmosfera controlada de CO₂. Após o processamento histológico e a coloração por hematoxilina e eosina, as amostras foram avaliadas por um sistema semiquantitativo de pontuação, com escore máximo de 22 pontos, no qual valores mais elevados indicam maior preservação da mucosa. RESULTADOS: As médias dos escores histopatológicos foram de 14,50 no Controle 0 h, 12,67 no Controle 4 h, 8,67 no Controle 4 h DON, 6,67 no grupo MP e 6,33 no grupo MP+DON. A redução observada entre os controles indicou que o próprio cultivo ex vivo foi acompanhado por alterações teciduais. Em comparação ao Controle 4 h, as reduções dos escores foram de 31,58% no Controle 4 h DON, 47,36% no grupo MP e 50,04% no grupo MP+DON. Os grupos contendo microplásticos apresentaram as menores pontuações, associadas principalmente à atrofia das vilosidades, perda apical de enterócitos, edema intersticial e desnudamento epitelial. Entretanto, os valores dos grupos MP e MP+DON foram próximos. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O modelo permitiu identificar alterações histológicas nas diferentes condições experimentais, incluindo modificações relacionadas ao próprio cultivo ex vivo. O DON reduziu o escore em relação ao Controle 4 h, enquanto MP e MP+DON apresentaram os menores escores. A proximidade entre esses grupos não permitiu demonstrar sinergismo entre os contaminantes. Por seu caráter exploratório e pelo reduzido número de animais, os achados necessitam de confirmação em estudos com amostra ampliada e análises complementares.
PALAVRAS-CHAVE: Microplásticos; Poliestireno; Jejuno; Explantes; Histopatologia.
Votação encerrada.