MÁQUINAS QUE GOVERNAM: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, VIGILÂNCIA E A RECONFIGURAÇÃO DO PODER
INTRODUÇÃO: Esta pesquisa buscou investigar a Inteligência Artificial (IA) como tecnologia material e como instrumento de poder e vigilância na sociedade contemporânea, partindo da constatação de que a narrativa dominante apresenta essa tecnologia como uma inovação neutra e imaterial, o que oculta suas bases materiais, políticas e econômicas. OBJETIVOS: O objetivo geral buscou analisar o papel da IA como tecnologia e instrumento de poder, entendendo seus vínculos com práticas de controle social e disputas geopolíticas, bem como compreender seus usos políticos em projetos de vigilância e guerra algorítmica, e examinar o discurso de neutralidade técnica dessa tecnologia enquanto construção performativa. MATERIAIS E MÉTODO: Metodologicamente, a pesquisa adotou abordagem interdisciplinar de natureza teórica e qualitativa, por meio de revisão sistemática,articulando conceitos da filosofia da tecnologia e da ciência política, com base em obras de autores como Kate Crawford, Shoshana Zuboff, Michel Foucault e Achille Mbembe. RESULTADOS: Os resultados indicaram que a IA opera simultaneamente em duas frentes articuladas de poder: uma modalidade disciplinar e comportamental, voltada à previsão e à modificação de condutas no espaço digital, e uma modalidade necropolítica e militar, voltada à automação de decisões letais em contextos de guerra, além de sustentar um discurso de neutralidade técnica que oculta tanto sua infraestrutura material quanto a origem dos dados que a alimentam. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Portanto, foi possível concluir que a IA constitui um dispositivo discursivo de poder, cuja compreensão exige a articulação entre crítica material, filosofia política e análise dos discursos que a legitimam socialmente, abrindo caminho para futuras investigações no âmbito da filosofia.
PALAVRAS-CHAVE: Inteligência Artificial; Capitalismo de vigilância; Necropolítica; Filosofia da tecnologia.
Votação encerrada.