O OLHAR DO ESTUDANTE SOBRE O ENSINO SUPERIOR: APOIO À ANÁLISE DE PROUNI, FIES E DESAFIOS DA PERMANÊNCIA
INTRODUÇÃO: O presente estudo analisa criticamente as políticas públicas de acesso e permanência no ensino superior brasileiro, com foco nos programas Programa Universidade para Todos (ProUni) e Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), considerando as transformações econômicas, sociais e educacionais que influenciam a relação da Geração Z com a universidade. Embora essas políticas tenham ampliado significativamente as oportunidades de ingresso de estudantes de baixa renda no ensino superior, persistem desafios relacionados à permanência, à conclusão da graduação e à efetiva mobilidade social para garantir uma trajetória acadêmica bem-sucedida. OBJETIVOS: O estudo teve como objetivo analisar criticamente as contribuições e limitações dos programas ProUni e FIES na democratização do ensino superior, identificando os fatores que dificultam a permanência estudantil e investigando como estudantes da Geração Z percebem o valor da graduação diante das mudanças no mercado de trabalho, da instabilidade econômica e das novas formas de inserção profissional. Buscou-se ainda compreender de que forma aspectos como financiamento, assistência estudantil, transporte, custos de manutenção e apoio institucional influenciam a continuidade dos estudos. MATERIAIS E MÉTODO: Foi adotada uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório, fundamentada em revisão bibliográfica e análise documental. Foram examinados estudos científicos, documentos oficiais, relatórios institucionais e indicadores produzidos por órgãos públicos e entidades de pesquisa, permitindo relacionar dados sobre acesso, financiamento, evasão, permanência e empregabilidade aos referenciais da sociologia da educação e das políticas públicas. O recorte contemplou o período de expansão das políticas de inclusão no ensino superior brasileiro, articulando evidências empíricas e interpretação crítica dos dados. RESULTADOS: Os resultados demonstram que, embora ProUni e FIES tenham ampliado significativamente o ingresso de estudantes de baixa renda nas instituições de ensino superior, permanecem limitações estruturais relacionadas ao endividamento estudantil, à insuficiência das políticas de assistência, aos elevados custos indiretos da formação, às dificuldades de inserção profissional e à ausência de estratégias integradas de permanência. Verificou-se ainda que a Geração Z atribui maior importância à previsibilidade financeira, à empregabilidade e à flexibilidade das trajetórias profissionais, relativizando a graduação como único caminho para ascensão social. Esses fatores contribuem para o aumento da evasão, para a revisão das expectativas em relação ao ensino superior e para o fortalecimento de alternativas educacionais de curta duração e inserção mais rápida no mercado de trabalho. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que a democratização do ensino superior exige políticas públicas que articulem acesso, permanência, assistência estudantil, apoio psicossocial, inclusão digital e empregabilidade. A ampliação de vagas representa apenas uma etapa do processo de inclusão educacional, sendo indispensável a implementação de ações capazes de assegurar condições efetivas para a permanência e conclusão da graduação. Os resultados reforçam a necessidade de repensar o modelo de financiamento e permanência estudantil no Brasil, promovendo uma educação superior mais equitativa, sustentável e comprometida com a redução das desigualdades sociais e a formação cidadã.
PALAVRAS-CHAVE: Ensino Superior; ProUni; FIES; Permanência Estudantil; Geração Z.
Votação encerrada.