ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS E BIOQUÍMICAS EM VACAS LEITEIRAS NO PERÍODO DE TRANSIÇÃO: RELEVÂNCIA DO FIBRINOGÊNIO COMO INDICADOR INFLAMATÓRIO
INTRODUÇÃO: O período de transição compreende as três semanas que antecedem e sucedem o parto e representa uma das fases de maior desafio fisiológico para vacas leiteiras, devido às intensas adaptações metabólicas, hormonais e imunológicas necessárias ao estabelecimento da lactação. Nesse contexto, o monitoramento laboratorial constitui importante ferramenta para avaliação da saúde animal e identificação precoce de alterações que possam comprometer o desempenho produtivo e reprodutivo. OBJETIVOS: Caracterizar as alterações hematológicas e bioquímicas observadas durante o período de transição de vacas leiteiras, com ênfase na avaliação do fibrinogênio como biomarcador inflamatório complementar. MATERIAIS E MÉTODO: Foram acompanhadas longitudinalmente dez vacas mestiças pertencentes ao rebanho experimental da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, campus Toledo, avaliadas aos 21 dias antes do parto (D-21), sete dias antes do parto (D-7), no dia do parto (D0), sete dias após o parto (D+7) e 21 dias após o parto (D+21). Em cada momento foram realizados exame clínico, hemograma completo, determinação da proteína plasmática total (PPT), concentração plasmática de fibrinogênio e análises bioquímicas séricas, incluindo glicose, albumina, ureia, creatinina, aspartato aminotransferase (AST), gama-glutamiltransferase (GGT) e fosfatase alcalina (FA). Os dados foram submetidos à análise estatística, adotando-se nível de significância de 5%. RESULTADOS: Nenhuma vaca apresentou retenção de placenta, metrite puerperal, mastite clínica, hipocalcemia, cetose ou outras intercorrências clínicas durante o período experimental, permitindo interpretar as alterações laboratoriais como adaptações fisiológicas inerentes ao período de transição. Observou-se redução significativa da contagem de hemácias, hemoglobina e hematócrito no momento do parto, acompanhada por aumento transitório da contagem de leucócitos, com recuperação gradual no pós-parto. Entre os parâmetros bioquímicos, apenas glicose e AST apresentaram variações significativas, enquanto albumina, ureia, creatinina, GGT e FA permaneceram dentro dos intervalos fisiológicos. A concentração plasmática de fibrinogênio apresentou aumento significativo no periparto, seguido por redução gradual nas avaliações subsequentes, evidenciando sua participação na resposta inflamatória fisiológica característica dessa fase. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O acompanhamento seriado dos perfis hematológico, bioquímico e inflamatório mostrou-se uma ferramenta valiosa para o monitoramento da adaptação fisiológica de vacas durante o período de transição. Os resultados destacam o fibrinogênio como biomarcador inflamatório complementar, de fácil determinação e baixo custo, com potencial aplicação na rotina da clínica veterinária e da medicina preventiva de rebanhos bovinos.
PALAVRAS-CHAVE: Biomarcador inflamatório; Hematologia veterinária; Proteínas de fase aguda; Rebanhos leiteiros; Saúde bovina.
Votação encerrada.