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DESAFIOS E ESTRATÉGIAS NA TRADUÇÃO DE IDIOMATISMOS DA ÁREA MÉDICA

ZENI, Daniele¹; COSTA, Juliano³
Curso do(a) Estudante: Medicina – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Medicina – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A tradução na área da saúde é um componente indissociável da segurança do paciente, uma vez que a comunicação ineficaz figura entre as principais causas de eventos adversos graves em ambientes hospitalares, segundo relatórios da Organização Mundial da Saúde. Os prontuários médicos possuem natureza híbrida, conforme a Análise de Gênero de Swales (1990), integrando terminologia técnico-científica e relatos narrativos subjetivos permeados por idiomatismos, metáforas corporais e jargões. Essa hibridização impõe ao tradutor um desafio duplo: precisão terminológica absoluta, de um lado, e sensibilidade pragmática e cultural para interpretar expressões cujo sentido clínico não é dedutível da soma literal de seus elementos, de outro. A tradução inadequada dessas unidades eleva o risco de ambiguidade interpretativa. OBJETIVOS: Investigar os desafios da tradução de idiomatismos, metáforas corporais e jargões do inglês para o português brasileiro em registros clínicos, sistematizando as estratégias tradutórias observadas e avaliando seu impacto sobre a precisão diagnóstica, além de catalogar as expressões coletadas, aplicar a taxonomia de Baker (2018) e demonstrar como o reconhecimento adequado dessas unidades pode prevenir desfechos clínicos adversos. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo descritivo-exploratório, de abordagem qualitativa e quantitativa, fundamentado na Linguística de Corpus (SARDINHA, 2004) e nos Estudos da Tradução (BAKER, 2018; JAKOBSON, 1959). Constituiu-se um corpus de 28 unidades fraseológicas extraídas manualmente da plataforma MTSamples, sem restrição de especialidade, priorizando-se expressões de alta opacidade semântica. As expressões foram categorizadas segundo a taxonomia de Tagnin (2013) — expressões idiomáticas, colocações, jargões de fórmula de rotina, jargões de colocação e jargões de onomatopeia — e analisadas quanto à estratégia tradutória, classificada como equivalente semelhante ou paráfrase, conforme Baker (2018). RESULTADOS: A distribuição revelou predominância de colocações (32,1%) e expressões idiomáticas (28,6%), que juntas corresponderam a 60,7% do corpus, evidenciando o caráter fraseológico do discurso clínico em inglês. Quanto às estratégias, 64% das expressões foram vertidas por equivalente semelhante e 36% por paráfrase, concentrando-se esta última quase exclusivamente nas expressões idiomáticas. Os jargões de fórmula de rotina foram integralmente traduzidos por equivalente semelhante. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os resultados confirmam a hipótese de que a tradução literal de idiomatismos e metáforas corporais em contextos clínicos aumenta o risco de erro diagnóstico e compromete a continuidade do cuidado. A articulação entre Tagnin (2013), Baker (2018), Swales (1990) e Sperber e Wilson (1995) explica por que traduções imprecisas elevam o esforço cognitivo do receptor em situações de alta pressão clínica. Conclui-se que o tradutor médico atua como mediador da relevância e guardião da continuidade do cuidado, sendo o reconhecimento das unidades fraseológicas uma barreira de segurança essencial à prática clínica.

PALAVRAS-CHAVE: Tradução Médica; Idiomatismos; Segurança do Paciente; Fraseologia; Prontuários Médicos.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida na modalidade voluntária no programa PIBIC.

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