FEIRAS LIVRES: ADEQUAÇÃO À IMPLEMENTAÇÃO DA ESTRATÉGIA ALIMENTA CIDADES
INTRODUÇÃO: As feiras livres configuram-se como equipamentos públicos estratégicos de abastecimento e promoção da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), visando efetivar o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA). No entanto, o avanço urbano tensiona a distribuição e o acesso a esses espaços, que buscam alinhar-se à Estratégia Alimenta Cidades (EAC). OBJETIVOS: O estudo teve como objetivo avaliar o acesso à alimentação saudável e adequada por meio das feiras livres do município de Curitiba e os impactos da EAC nesse alcance, identificando o perfil dos frequentadores, suas necessidades alimentares e as articulações intersetoriais. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de uma pesquisa quali-quantitativa e transversal, realizada por meio de entrevistas com 78 frequentadores em 15 feiras de Curitiba (abrangendo feiras livres diurnas e noturnas, orgânicas, gastronômicas e o programa Nossa Feira). Os dados quantitativos foram analisados por estatística descritiva e os qualitativos por análise temática. RESULTADOS: Observou-se uma predominância de frequentadores com ensino superior e renda superior a R$ 5.000,00 nas feiras tradicionais e orgânicas, revelando barreiras econômicas, geográficas e de horários que afastam a população de baixa renda. Em contrapartida, o programa Nossa Feira destacou-se por alcançar famílias de menor renda e com maior vulnerabilidade à insegurança alimentar, oferecendo preços acessíveis. As feiras noturnas, por sua vez, apresentaram forte vocação para o lazer e consumo gastronômico. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que, embora a rede de feiras possua alto potencial para a promoção da segurança alimentar e nutricional ao ofertar alimentação saudável e adequada de forma ampla, a efetivação do DHAA em Curitiba exige um planejamento urbano e de abastecimento descentralizado, com ampliação de políticas de tabelamento de preços e feiras populares para mitigar as barreiras de acesso.
PALAVRAS-CHAVE: segurança alimentar; feiras livres; políticas públicas; direito humano à alimentação adequada.
Votação encerrada.