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ASSOCIAÇÃO ENTRE A MICROBIOTA INTESTINAL E A SAÚDE MENTAL: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

CALZADO, Vinicius da Silva¹; RAYMUNDO, Gisele Pontaroli³
Curso do(a) Estudante: Nutrição – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Nutrição – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A crescente demanda por novas abordagens em saúde mental tem impulsionado investigações sobre a conexão entre nutrição e o cérebro, emergindo a microbiota intestinal como elemento central dessa regulação. Embora a dieta seja um determinante fundamental da composição microbiana, a literatura raramente enfrenta de modo integrado se a modulação empírica da microbiota se traduz em benefício clínico mensurável sobre desfechos de saúde mental e por meio de quais mecanismos. OBJETIVOS: O objetivo geral consistiu em identificar e sintetizar a evidência clínica sobre a associação entre intervenções nutricionais moduladoras da microbiota intestinal e desfechos de saúde mental em humanos adultos MATERIAIS E MÉTODO: Tratou-se de uma revisão integrativa da literatura, desenvolvida sob as diretrizes metodológicas do Joanna Briggs Institute (JBI) e reportada conforme o protocolo PRISMA 2020. Estruturou-se a pergunta norteadora pela estratégia PEO (População, Exposição, Desfecho), conduzindo-se buscas abrangentes nas bases PubMed, Web of Science e SciELO, com recorte temporal de 2021 a 2026. Incluíram-se exclusivamente ensaios clínicos randomizados (ECR) que testaram intervenções como fibras, prebióticos, padrões alimentares e bioativos, avaliando depressão, ansiedade, humor, estresse ou sono por meio de escalas validadas ou diagnóstico clínico formal. A apreciação crítica do risco de viés seguiu rigorosamente o checklist do JBI para ECR. RESULTADOS: O corpus final foi composto por 18 ECR. Identificou-se um aumento consistente e reprodutível de bactérias do gênero Bifidobacterium e de táxons produtores de butirato. No entanto, evidenciou-se um marcante desacoplamento entre a modulação microbiana e o efeito clínico psiquiátrico, indicando que a mudança taxonômica não predisse necessariamente melhoras psicológicas. Os ensaios de mais alta qualidade metodológica tenderam sistematicamente a resultados clínicos nulos, sendo a oligofrutose a única intervenção isolada a apresentar sinal clínico favorável e robusto entre grupos. Constatou-se também que mecanismos centrais do eixo intestino-cérebro, como a atividade da micróglia e do nervo vago, permanecem como lacunas não aferidas in vivo na literatura analisada. Em um contraponto mecanístico, observaram-se efeitos clínicos significativos no humor sem qualquer alteração associada do microbioma, sugerindo a forte atuação de vias neuroativas não microbianas. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A evidência de que intervenções nutricionais moduladoras da microbiota melhoram a saúde mental em adultos revela-se modesta, heterogênea e amplamente dependente da qualidade estrutural do delineamento. A modificação da composição da microbiota afigura-se como um fator biológico necessário, porém insuficiente isoladamente para garantir benefícios clínicos reais. Recomenda-se que ensaios clínicos futuros priorizem durações superiores a doze semanas, explorem a sinergia de misturas prebióticas estruturadas, estratifiquem prospectivamente os achados por sexo e incorporem biomarcadores neurofuncionais objetivos.

PALAVRAS-CHAVE: Microbioma gastrointestinal; Saúde mental; Eixo intestino- cérebro; Prebióticos.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida na modalidade voluntária no programa PIBIC.

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