RESULTADOS CLÍNICOS COM O USO DE ESQUEMAS TRIPLETOS EM PACIENTES NÃO TRANSPLANTÁVEIS COM MIELOMA MÚLTIPLO
INTRODUÇÃO: O mieloma múltiplo (MM) é uma neoplasia hematológica cuja incidência vem aumentando em decorrência do envelhecimento populacional e dos avanços diagnósticos. No Brasil, permanecem escassos os dados de mundo real sobre pacientes não elegíveis ao transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas (TCTH-A), especialmente após a incorporação dos anticorpos monoclonais anti-CD38 ao tratamento de primeira linha. OBJETIVOS: Caracterizar os desfechos clínicos de pacientes com MM não elegíveis ao TCTH-A tratados com esquemas tripletos em um centro oncológico privado do Sul do Brasil, descrevendo os esquemas terapêuticos empregados, a resposta ao tratamento e os desfechos de sobrevida. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo observacional, retrospectivo e de mundo real, conduzido em um centro oncológico privado de Curitiba (PR). Foram incluídos pacientes atendidos entre abril de 2020 e abril de 2025, com diagnóstico de MM segundo os critérios do International Myeloma Working Group, não elegíveis ao TCTH-A e tratados com esquema tripleto em pelo menos uma linha terapêutica. Os dados foram obtidos por revisão de prontuários eletrônicos e analisados no software IBM SPSS Statistics, utilizando estatística descritiva e estimativas de sobrevida pelo método de Kaplan-Meier. RESULTADOS: Dos 72 pacientes inicialmente triados, 13 preencheram os critérios de elegibilidade e compuseram a população analítica. A mediana de idade ao diagnóstico foi de 77 anos, com predomínio de pacientes classificados como ECOG 1. O esquema de primeira linha mais frequentemente utilizado foi daratumumabe, bortezomibe e dexametasona (30,8%), e 46,2% receberam esquema contendo daratumumabe já em primeira linha, proporção que alcançou 61,5% quando consideradas todas as linhas de tratamento. Entre os 11 pacientes com resposta avaliável, a taxa de resposta global foi de 81,8%, com resposta profunda (≥VGPR) em 54,5%. Após seguimento mediano de 31,6 meses, a mediana de sobrevida livre de progressão foi de 31,9 meses, enquanto a mediana de sobrevida global não foi atingida. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A população estudada apresentou perfil compatível com o esperado para pacientes não elegíveis ao transplante autólogo, e os desfechos observados foram consistentes com o cenário contemporâneo do tratamento do MM, devendo ser interpretados à luz do reduzido tamanho amostral e das limitações inerentes ao delineamento retrospectivo. Além disso, o estudo documenta uma etapa da transição terapêutica do mieloma múltiplo no Brasil, evidenciada pela incorporação progressiva de esquemas contendo daratumumabe à prática clínica, contribuindo com evidências contemporâneas de mundo real sobre pacientes brasileiros não elegíveis ao transplante tratados na era dos esquemas contendo anti-CD38.
PALAVRAS-CHAVE: Mieloma Múltiplo; Esquemas Tripletos; Daratumumabe; Pacientes Não Elegíveis ao Transplante; Sobrevida.
Votação encerrada.