A ASCENSÃO DE COMUNIDADES DIGITAIS NA “MANOFERA”: UMA PERIGOSA RECONFIGURAÇÃO DAS MASCULINIDADES HEGEMÔNICAS NO CONTEXTO CONTEMPORÂNEO
INTRODUÇÃO: A violência de gênero no Brasil configura-se como um problema estrutural enraizado no patriarcado e nas configurações normativas da masculinidade hegemônica. Contemporaneamente, observa-se uma contundente reação conservadora no ambiente digital, especificamente na chamada “manosfera”, onde grupos masculinos articulam discursos de ressentimento e ódio organizado como resposta direta aos avanços das pautas de equidade de gênero e emancipação feminina. OBJETIVOS: Investigar as narrativas produzidas e difundidas no âmbito destas comunidades digitais, abrangendo vertentes como Red Pill e Incels, visando estabelecer correlações analíticas com o aumento sistêmico dos casos de violência contra a mulher no Brasil, além de analisar qualitativamente os discursos de influenciadores misóginos. MATERIAIS E MÉTODO: O percurso metodológico fundamentou-se no método dialético. Na fase inicial, executou-se uma pesquisa exploratória e bibliográfica para a consolidação do arcabouço conceitual. Durante a fase empírica, aplicou-se a etnografia digital (netnografia) e a Análise de Discurso em plataformas como YouTube, Reddit, X (antigo Twitter) e TikTok. A coleta de dados restringiu-se estritamente a informações de domínio público, assegurando os preceitos éticos da não intervenção. RESULTADOS: A pesquisa evidenciou que a propalada “crise da masculinidade” atua como um mito estratégico, pautado na percepção subjetiva de perda de privilégios. Constatou-se que as comunidades da manosfera funcionam como câmaras de eco algorítmicas que radicalizam o discurso misógino. O recrutamento de jovens ocorre frequentemente por meio de conteúdos focados em autoajuda e desenvolvimento pessoal que, de forma insidiosa, evoluem para uma narrativa de vitimização masculina. Observou-se também que esses ecossistemas digitais estão integrados a movimentos de ultraconservadorismo e dinâmicas de guerra cultural, utilizando as redes como polos de desinformação. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que a manosfera atua como um catalisador de comportamentos que transbordam das telas para violências físicas e psicológicas no cotidiano das mulheres. Esses fenômenos operam ativamente para a manutenção do poder hegemônico, demonstrando que o enfrentamento à radicalização masculina digital exige o fortalecimento de políticas públicas voltadas à educação midiática e à desconstrução de estereótipos patriarcais estruturais.
PALAVRAS-CHAVE: Violência de Gênero; Masculinidade Hegemônica; Manosfera; Misoginia Online; Radicalização Digital.
Votação encerrada.