FAKE NEWS E A RETÓRICA DO ÓDIO NO BRASIL
INTRODUÇÃO: A presente pesquisa investiga a disseminação sistemática do discurso de ódio direcionado às minorias sociais no Brasil contemporâneo. O estudo analisa a instrumentalização da retórica de ódio no cenário político eleitoral como uma estratégia central para a ascensão, articulação e consolidação da extrema direita, impulsionando a polarização afetiva e promovendo o enfraquecimento progressivo das instituições e do Estado Democrático de Direito. OBJETIVOS: O trabalho busca compreender os mecanismos sociotécnicos que viabilizam a difusão contínua do ódio no ambiente digital. Examina-se como a exploração do apelo emocional e o fortalecimento do engajamento identitário alteram a percepção do eleitorado sobre a violência discursiva, levando à legitimação da supressão de direitos essenciais de grupos historicamente vulneráveis. MATERIAIS E MÉTODO: Metodologia: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter sócio-histórico e bibliográfico. A fundamentação teórica conecta as raízes históricas da herança escravocrata brasileira às dinâmicas do capitalismo de plataforma e da economia da atenção operada pelas Big Techs. A análise empírica apoia-se nos dados e mapeamentos desenvolvidos por Fuks e Marques a respeito do panorama da polarização política nacional. RESULTADOS: O estudo demonstra com clareza o caráter personalista na política nacional, onde existe uma polarização afetiva com relação as lideranças e uma polarização política com relação a partidos políticos. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os resultados indicam que o forte sentimento de pertencimento a grupos ideológicos e o vínculo afetivo com lideranças políticas fazem com que o eleitor minimize a gravidade do discurso de ódio e da desinformação. Nesse ecossistema, as agressões discursivas passam a ser justificadas como atos de defesa de uma identidade coletiva. Conclui-se que a superação dessa crise exige o debate urgente sobre a regulação das redes sociais e o fortalecimento das salvaguardas democráticas.
PALAVRAS-CHAVE: Fake News; Retórica de ódio; Polarização política; Ódio nas redes sociais; Ódio às minorias.
Votação encerrada.