O USO DE TECNOLOGIAS POR PROFISSIONAIS DE PSICOLOGIA NO PARANÁ
INTRODUÇÃO: A prioridade cinco da Estratégia de Saúde Digital (ESD) para o Brasil engloba a formação e a capacitação de recursos humanos para a Saúde Digital (SD). Isso pode acontecer se for identificado o volume de profissionais a serem capacitados em SD, o que leva à melhor adesão, melhor atendimento e maior capacidade de gestão. OBJETIVOS: O objetivo geral desta pesquisa foi mapear o uso de tecnologias pelos profissionais de psicologia paranaenses. Os objetivos específicos foram: levantar quais as tecnologias os profissionais de psicologia utilizam e identificar fatores facilitadores ou não para o uso de tecnologias para esses profissionais. MATERIAIS E MÉTODO: Foi enviado um questionário online a psicólogos com CRP ativo no Paraná, cuja divulgação ocorreu pelo método bola de neve. Os profissionais responderam ao questionário que foi baseado no modelo TAM3, que avalia a percepção sobre o uso de tecnologias. Também foram coletados dados sobre tecnologias não usadas e motivos para a não utilização de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs). Além disso, os profissionais indicaram seu conhecimento sobre a resolução nº 09/2024 do CFP e a LGPD. Foi realizada uma análise por estatística descritiva e uma análise temática das questões abertas. RESULTADOS: 208 psicólogos participaram da pesquisa. A maioria dos participantes relatou elevada intenção de uso e a percepção de que as tecnologias são úteis no trabalho. Índices menores são observados quanto à percepção de capacidade de realizar um uso autodidata dessas ferramentas. Tecnologias para comunicação por aplicativo e para reuniões e aula são utilizadas pela maioria dos profissionais. Por outro lado, verifica-se resistências a algumas tecnologias, como aplicativos para auxílio à terapia e inteligência artificial. Dentre os principais motivos para a rejeição ao uso de TDICs, destaca-se a falta de letramento digital; a percepção de prejuízo ao setting terapêutico e a preocupação com questões éticas. Quanto ao conhecimento sobre normas que dão diretrizes para o uso de tecnologias no cotidiano, este é incipiente, principalmente em relação à LGPD. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O mapeamento evidenciou a ampla utilização de TDICs pelos psicólogos paranaenses. A percepção de utilidade dessas tecnologias e o apoio de outras pessoas durante a aprendizagem são importantes facilitadores para sua adoção. Em contrapartida, a falta de letramento digital, os receios de prejuízo ao setting terapêutico e as preocupações relacionadas ao sigilo e à privacidade de dados são barreiras significativas à adoção desses instrumentos. Ademais, o desconhecimento sobre a Resolução nº 09/2024 do CFP e da LGPD dificulta a concretização de um uso adequado e seguro das tecnologias. Portanto, é essencial a criação e o fortalecimento de ações voltadas para a capacitação profissional, com foco no letramento digital dos psicólogos.
PALAVRAS-CHAVE: Tecnologia digital da informação e comunicação; Saúde Digital; Psicólogos; Formação; TAM3.
Votação encerrada.