PREVALÊNCIA DE COMPORTAMENTOS ALIMENTARES DE RISCO PARA ORTOREXIA NERVOSA E SUA ASSOCIAÇÃO AO PERFIL ALIMENTAR E NUTRICIONAL DE PRATICANTES DE EXERCÍCIO FÍSICO
INTRODUÇÃO: A ortorexia nervosa (ON) reflete uma obsessão patológica pela pureza e qualidade biológica dos alimentos, gerando potenciais carências nutricionais e isolamento psicossocial. Praticantes de exercícios físicos constituem um grupo potencialmente mais suscetível ao desenvolvimento de comportamentos ortoréxicos. Essa vulnerabilidade ocorre porque esse público frequentemente adota dietas altamente controladas, visando ao desempenho esportivo ou ao alcance de padrões estéticos específicos. OBJETIVOS: Investigar o risco de prevalência da ON e sua associação ao perfil alimentar e nutricional em praticantes regulares de exercícios físicos em academias de Curitiba-PR. MATERIAIS E MÉTODO: Por meio de delineamento descritivo, transversal e com abordagem quantitativa, foram selecionadas academias da área central de Curitiba-Pr. Como critérios de inclusão, foram considerados indivíduos com idade entre 18 e 60 anos e que praticam exercício físico regularmente. Foram excluídos questionários incompletos e indivíduos com comorbidades como doença celíaca, diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica ou doenças cardiovasculares pelo potencial viés em relação a cuidados dietéticos específicos para as comorbidades. A coleta de dados transcorreu via formulário online (Google Forms®), mapeando variáveis sociodemográficas, cálculo de Índice de Massa Corporal (IMC) através do peso e altura autorreferidos, o perfil de consumo alimentar habitual e o nível de atividade física. Também, a frequência, tipo e dependência da atividade física foi levantada através da escala EAI (Exercise Addiction Inventory). O rastreio comportamental de risco para a ON foi estabelecido por meio do instrumento padronizado ORTO-15. Os dados foram analisados por estatística descritiva expressos em valores de média e desvio padrão para variáveis contínuas e distribuição de frequências absolutas e relativas para variáveis categóricas. Para a análise das variáveis categóricas e verificação de associação com o risco de ortorexia, utilizou-se o teste Qui-quadrado de Pearson, aplicando-se o Teste Exato de Fisher e o teste de Associação Linear por Linear quando necessário. O teste t de Student para amostras independentes foi empregado para comparar as médias contínuas, sendo utilizado nível de significância de p≤ 0,05. RESULTADOS: A amostra final contou com 152 participantes, com idades entre 18 e 60 anos, sendo 70,4% mulheres e 29,6% homens. A prevalência de risco para ON foi de 13,2%. O estudo demonstrou que não houve associação estatisticamente significativa entre o risco para ON e a prática geral de exercício físico, a dependência de exercício, o padrão alimentar e o estado nutricional. Observou-se, contudo, uma associação com tendência linear significativa em relação à frequência semanal de exercícios (p=0,01), sendo que indivíduos que treinam de 1 a 2 vezes na semana apresentaram maior prevalência de risco (28,0%) quando comparados aos que treinam de 5 a 7 vezes (8,5%). Não houve diferença significativa nas médias de IMC entre os grupos. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A prevalência de comportamentos de risco para ON na amostra é expressiva, porém o transtorno não demonstrou estar diretamente vinculado à dependência de exercícios ou ao estado nutricional. A relação inversa identificada entre o volume de treinos e o risco de ON sugere que a dinâmica entre atividade física e ortorexia é complexa e independente dos padrões associados aos transtornos alimentares clássicos focados em emagrecimento.
PALAVRAS-CHAVE: Ortorexia nervosa; Comportamento alimentar; Exercício físico; Estado nutricional; Qualidade de vida.
Votação encerrada.