AQUISIÇÃO DE IMAGENS MULTIMODAIS: UMA ANÁLISE CICATRICIAL E TERMOGRÁFICA DE FERIDAS CRÔNICAS DE DIFERENTES ETIOLOGIAS
INTRODUÇÃO: A cicatrização de feridas é um processo complexo que envolve reparo celular, anatômico e funcional (ELIA et al., 2024). Neste contexto, uma das alternativas para execução deste rastreamento são as imagens multimodais que têm se destacado como uma ferramenta avançada na análise e monitoramento da cicatrização de feridas, oferecendo uma abordagem mais abrangente e detalhada em comparação com métodos tradicionais (ZHANG et al., 2015; LU et al., 2025). O uso combinado da fotografia, termografia e digitalização podem resultar em um entendimento mais holístico da cicatrização de feridas (LU et al., 2025). OBJETIVOS: Avaliar o processo cicatricial de feridas crônicas de múltiplas etiologias, utilizando imagens térmicas para o monitoramento detalhado das etapas do processo cicatricial, usando a matriz autóloga de fibrina rica em plaquetas como agente terapêutico. MATERIAIS E MÉTODO: Foi elaborada uma revisão sistemática sobre os métodos avaliativos comumente utilizados, como instrumentos clínicos padronizados, planimetria, mensuração manual e fotografia digital, em comparação com as imagens termográficas na avaliação do processo cicatricial de feridas crônicas, na literatura disponível, com o objetivo alternativo de identificar as diferenças entre essas abordagens quanto à aquisição de informações sobre a cicatrização, incluindo área da lesão, profundidade e outros parâmetros relacionados à evolução da ferida. RESULTADOS: Os 12 estudos incluídos nesta revisão foram publicados entre 1973 e 2025 e conduzidos em diferentes regiões geográficas, com predomínio de pesquisas realizadas na Europa e na Ásia. Em relação ao delineamento metodológico, 11 estudos foram observacionais, sendo 7 explicitamente prospectivos, 1 retrospectivo e 3 com outros delineamentos observacionais ou longitudinais, enquanto 1 apresentou delineamento comparativo randomizado. As amostras variaram entre 22 e 200 participantes, porém, em Barton et al. (1973), embora tenham sido incluídos 200 pacientes, o número efetivamente submetido à termografia não foi informado, sendo uma limitação relevante desse artigo. Do total de artigos, 7 estudos avaliaram lesões por pressão, 3 investigaram exclusivamente úlceras venosas, 1 avaliou exclusivamente úlceras do pé diabético e 1 incluiu tanto úlceras venosas quanto úlceras do pé diabético. O período de acompanhamento variou de aproximadamente três dias a quatro meses, embora alguns estudos não tenham informado uma duração fixa, e a maioria realizou avaliações termográficas seriadas associadas a métodos clínicos ou planimétricos de acompanhamento da cicatrização. Todos os estudos empregaram termografia estática. A periodicidade variou de uma única avaliação basal a registros realizados a cada três dias durante 16 dias, com alguns estudos mantendo avaliações semanais ou quinzenais. Os parâmetros mais frequentemente investigados foram as temperaturas média, mediana, mínima e máxima e as diferenças relativas entre o leito, a região perilesional e a pele de referência. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A partir da conclusão do presente projeto, destaca-se que a termografia infravermelha apresenta potencial para complementar a avaliação das feridas crônicas, especialmente pela identificação de alterações fisiológicas não evidentes à inspeção visual. No entanto, seu desempenho depende da etiologia da ferida, da região térmica analisada, do método de processamento e da padronização da aquisição.
PALAVRAS-CHAVE: Feridas crônicas; Cicatrização de feridas; Termografia; Diagnóstico por imagem; Revisão sistemática.
Votação encerrada.