Logo PUCPR

PEDAGOGIA VARIACIONISTA EM PRÁTICA: ENTRE A FALA DE ESTUDANTES E O MATERIAL DIDÁTICO

MACAGGI, Pietra Aiessa Waltrick¹; NICOLA, Rosane de Mello Santo³
Curso do(a) Estudante: Letras-Português-Inglês – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Letras – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: O ensino de Língua Portuguesa ainda é frequentemente pautado por concepções homogêneas de língua e práticas prescritivas. Nesse contexto, a Pedagogia Variacionista propõe integrar a diversidade linguística ao ensino, promovendo o desenvolvimento da competência comunicativa em consonância com as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). OBJETIVOS: GERAL: Descrever variantes linguísticas da fala de estudantes da Educação Básica, considerando fatores socioeconômicos, culturais e regionais em prol de aperfeiçoamento das práticas de ensino de oralidade do português brasileiro, conforme a pedagogia variacionista. ESPECÍFICOS: i. Descrever os fundamentos da pedagogia variacionista; ii. Descrever variantes linguísticas utilizadas na fala de estudantes de Educação Básica, considerando fatores socioeconômicos, culturais e regionais; iii. Investigar, na perspectiva da pedagogia variacionista, as práticas de oralidade propostas no livro de língua portuguesa adotado pela escola onde estudam os alunos pesquisados. MATERIAIS E MÉTODO: A pesquisa é qualitativa, de natureza documental e sociolinguística, sendo realizadas entrevistas individuais gravadas com dois estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental de escola pública de Curitiba, posteriormente transcritas e analisadas à luz da Pedagogia Variacionista (Bortoni-Ricardo, 2004; Cyranka, 2013; González, 2018). Em seguida, realizou-se análise documental livro Português Linguagens, utilizado pelos participantes da pesquisa, com foco nas práticas de ensino de oralidade do português brasileiro e nas variedades linguísticas. RESULTADOS: A informante 1 emprega o marcador discursivo daí como principal estratégia de encadeamento narrativo; o informante 2 utiliza daí e aí, além da combinação de daí mais só para indicar limitação temporal de ação; ambos utilizam o marcador tipo como recurso de exemplificação e aproximação, sendo que o informante 2 emprega para exemplificar ideias hipotéticas, sustentar seu argumento e manter distanciamento em relação ao conteúdo, demonstrando mais diversidade de estratégias. No campo da morfossintaxe, a informante 1 emprega a eliminação do plural redundante, o que está relacionado ao grau de escolarização e ao baixo monitoramento da fala. Trata-se de variante estilística relacionada ao registro adotado durante a entrevista. O informante 2 utiliza a gente em substituição a nós, processo de mudança linguística muito produtivo entre falantes brasileiros, mais evidente na fala de jovens, independente do nível de escolarização. Sobre vocabulário, ambos utilizam frequentemente o item lexical coisa, empregado pela informante 1 para generalizar conjuntos de elementos e pelo informante 2 com função anafórica, como mecanismo de economia lexical, compreendido por meio do contexto. Em relação ao livro didático, o material apresenta poucas amostras de fala real e limitações ao tratar a variação linguística apenas como conteúdo, com excesso de linguagem técnica e conceitos teóricos, privilegiando a reprodução de informações. Há poucas oportunidades de reflexão sobre fatores sociais, norma-padrão e preconceito linguístico, atendendo parcialmente às habilidades requeridas na BNCC. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Há distanciamento entre o repertório linguístico dos estudantes e aquele adotado no livro, evidenciando a necessidade de práticas pedagógicas que utilizem a fala autêntica dos alunos como objeto de reflexão e valorizem a diversidade linguística como instrumento para o desenvolvimento das capacidades comunicativas em diferentes contextos sociais.

PALAVRAS-CHAVE: Pedagogia Variacionista; Oralidade; Livro didático; Variação linguística.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida na modalidade voluntária no programa PIBIC.

QUERO VOTAR NESTE TRABALHO

Votação encerrada.