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PEDAGOGIA VARIACIONISTA NA ESCOLA: A VALORIZAÇÃO DA DIVERSIDADE LINGUÍSTICA

SOUZA, Graziella de Moraes Batista de¹; NICOLA, Rosane de Mello Santo³
Curso do(a) Estudante: Letras-Português-Inglês – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Letras – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A pesquisa fundamenta-se nos princípios da Sociolinguística Educacional e na Pedagogia Variacionista, compreendendo a língua como um fenômeno vivo e uma atividade social indispensável no ambiente escolar (Galindo, 2025; Bagno, 2002). O estudo destaca a importância de a escola ampliar os repertórios linguísticos dos alunos sem desqualificar suas variedades de origem (Bortoni-Ricardo, 2004), em conformidade com as orientações da Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2018). OBJETIVOS: GERAL: Investigar, na perspectiva da Pedagogia Variacionista, a relação entre a fala de estudantes da Educação Básica em diferentes contextos sociocomunicativos e o livro de língua portuguesa adotado pela escola. ESPECÍFICOS: i. Descrever os fundamentos da perspectiva defendida pela pedagogia variacionista no ensino de língua materna; ii. Identificar variantes linguísticas presentes na fala de estudantes da Educação Básica, considerando fatores sociais, regionais e culturais; iii. Analisar práticas de ensino de língua portuguesa propostas no livro didático da escola onde estudam os alunos cujas variantes de fala foram identificadas. MATERIAIS E MÉTODO: Utilizou-se a coleta de dados de três informantes do 9º ano em escola pública de Curitiba, com transcrição baseada em normas específicas da análise sociolinguística. Também fez-se análise documental da obra “Português: linguagens” (9º ano) de William Cereja e Carolina Dias Vianna, adotada pelos informantes da pesquisa, empregando-se metodologia de análise sociolinguística. RESULTADOS: Os achados revelaram alta produtividade de marcadores discursivos como “tipo”, “daí” e “né” (Silva, 2016; Tavares, 2006; Martelotta; Alcântara, 1996), o uso sistemático da variante morfossintática “a gente” com flexibilidade referencial (Lopes, 1998; Zilles, 2007) e o emprego de itens lexicais que indicam processos de identidade e acomodação regional, como “piá”, “véi” e “lazarento” (Lima, 2025; Carvalho, 2014). Quanto à análise documental do livro didático, percebem-se avanços ao reconhecer a heterogeneidade linguística e o caráter social do preconceito (Bagno, 2007; Santos; Aragão, 2020). Contudo, a obra ainda mantém limitações ao reproduzir terminologias da tradição normativa e não mobilizar o repertório real dos estudantes (Bortoni-Ricardo, 2005), oferecendo reduzidas oportunidades para a investigação de fenômenos variáveis e limitando o desenvolvimento da consciência crítica sobre os usos da língua falada. Prioriza a segurança gramatical em detrimento da autonomia e da competência comunicativa (Hymes, 1968). CONSIDERAÇÕES FINAIS: Há pouca ou quase nenhuma relação entre a fala dos estudantes e o livro de língua portuguesa adotado, visto que a obra prioriza o ensino sobre a variação em vez de uma prática a partir da realidade linguística dos alunos. Assim, enquanto os informantes mobilizam variantes identitárias produtivas como “daí”, “tipo” e “a gente”, o material didático foca em transmissões conceituais e terminologias técnicas. Logo, o livro ensina “sobre” a variação linguística, mas ensina pouco “a partir” da variação linguística vivenciada pelos estudantes.

PALAVRAS-CHAVE: Sociolinguística; Pedagogia Variacionista; Livro Didático; Variação Linguística; Ensino de Língua Portuguesa.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida na modalidade voluntária no programa PIBIC.

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