ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE A QUALIDADE DE VIDA MATERNA E O NEURODESENVOLVIMENTO INFANTIL NO SEGUNDO ANO DE VIDA: ESTUDO RETROSPECTIVO DA COORTE COVIDEV
INTRODUÇÃO: O desenvolvimento infantil é resultado de uma união de fatores, incluindo a relação mãe-bebê. Dessa forma, faz-se necessário avaliar o quanto a qualidade de vida materna pós-parto influencia no neurodesenvolvimento do filho. A qualidade de vida (QV), definida pela Organização Mundial da Saúde, contempla a visão do indivíduo sobre si, sua posição diante da cultura e valores com os quais entra em contato, seus objetivos, expectativas e padrões. OBJETIVOS: Avaliar a relação entre o neurodesenvolvimento infantil ao segundo ano de vida e a qualidade de vida materna aos 3 meses pós-parto, considerando a exposição ao vírus SARS-CoV-2 pré-natal e perfis clínico e sociodemográfico da população. Já os objetivos específicos foram: 1. Avaliar o neurodesenvolvimento infantil aos dois anos de vida, por meio da Escala Bayley III em todos os seus domínios. 2. Avaliar a percepção de qualidade de vida das mães, pelo Instrumento SF-12, aos 3 meses após o nascimento da criança. 3. Identificar o perfil sociodemográfico e clínico das mães recrutadas para o estudo. 4. Identificar perfil sociodemográfico e clínico das crianças, com a idade de dois anos completos e acompanhadas pelo estudo coorte original. 5. Analisar as cinco áreas de avalição da Escala Bayley III: aspectos cognitivos; linguagem receptiva; linguagem expressiva; motricidade fina e motricidade grossa; comportamento adaptativo. MATERIAIS E MÉTODO: No contexto apresentado, o questionário 12-Item Short-Form Health Survey (SF-12) foi utilizado para avaliação da qualidade de vida materna aos 3 meses pós-parto. Esse reúne doze perguntas sobre oito dimensões influentes na qualidade de vida – função física, aspecto físico, dor, saúde geral, vitalidade, função social, aspecto emocional e saúde mental – a partir da percepção do entrevistado em relação a si e sua saúde. Os escores obtidos ao fim do questionário são divididos em físico (Physical Component Summary, PCS) e mental (Mental Component Summary, MCS), sendo que quanto maior o escore de zero a cem em ambos, melhor QV. Para avaliação do neurodesenvolvimento infantil em indivíduos com dois anos de vida, utilizou-se o Bayley-III, instrumento que pontua cinco áreas diferentes com testes avaliativos de acordo com a faixa etária desejada. Os domínios e a respectiva quantidade de testes que aplicados aos 24 meses são: cognitivo (63), linguagem (54), motricidade (90) e socioemocional (24 perguntas ao cuidador). RESULTADOS: Os resultados apresentados são de 38 díades mãe-filho participantes de uma coorte prospectiva. Na qualidade de vida materna, a mediana do PCS foi de 47,52 (35,75 – 56,82), enquanto a mediana do MCS foi 50,10 (16,01 – 61,27). Em relação aos resultados de neurodesenvolvimento, a mediana em IQR para o domínio cognitivo foi de 25 (16 – 25), de 8 (6 – 8) para o domínio de linguagem, 5 (4 – 8) para o domínio de motricidade e 75 (63 – 98) para o domínio socioemocional. Utilizando o Teste de Correlação Spearman, não se obteve correlação significativa entre idade materna, PCS, MCS e o resultado dos domínios de desenvolvimento infantil. Também não houve correlação positiva entre QV materna e exposição ao SARS-CoV-2. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A partir do estudo apresentado, conclui-se que a relação entre a QV materna aos 3 meses pós-parto e o neurodesenvolvimento infantil no segundo ano de vida não apresentaram associações. Estudos com maior número de participantes nos acompanhamentos de estudos como esta coorte e demais análises estatísticas são necessárias para reconfigurar estes achados.
PALAVRAS-CHAVE: Qualidade de Vida; Desenvolvimento Infantil; Relações Mãe-Filho.
Votação encerrada.