ASSOCIAÇÃO ENTRE DOENÇA HEPÁTICA ESTEATÓTICA METABÓLICA E SARCOPENIA: ESTUDO EM AMBULATÓRIO DE HEPATOLOGIA
INTRODUÇÃO: A doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD) é a principal causa de doença hepática crônica no mundo, afetando aproximadamente 32,4% da população global. A transição nomenclatural para MASLD reflete uma base fisiopatológica focada em anormalidades metabólicas, como obesidade e diabetes mellitus tipo 2. Além do impacto hepático, a MASLD é uma doença multissistêmica que frequentemente se associa à sarcopenia — a perda progressiva de força e massa muscular. Essa interação bidirecional é mediada por resistência insulínica, inflamação crônica e estresse oxidativo, onde a redução muscular favorece a lipogênese hepática e agrava o prognóstico clínico. Sendo assim, a avaliação do perfil dos pacientes com doença hepática crônica sob a nova ótica da MASLD é indispensável. OBJETIVOS: Caracterizar o perfil epidemiológico de pacientes portadores de MASLD com diagnóstico de sarcopenia provável atendidos em um hospital de atenção terciária, correlacionando a força de preensão manual (FPM) ao grau de fibrose hepática e complicações da doença. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de um estudo observacional, transversal e prospectivo realizado com uma amostra de 62 pacientes portadores de MASLD em Curitiba, entre agosto de 2025 e janeiro de 2026. Foram coletados dados sociodemográficos e clínicos, aplicando-se o questionário SARC-CalF para triagem de risco de sarcopenia e a dinamometria para avaliar a FPM, conforme os critérios da EWGSOP2. O risco de fibrose avançada foi estratificado pelo escore não invasivo FIB-4. RESULTADOS: A amostra apresentou distribuição equilibrada entre os sexos (50%), com idade média de 61 ± 12 anos. As comorbidades mais frequentes foram dislipidemia (66,1%) e diabetes (53,2%). A prevalência de sarcopenia provável pela FPM foi de 8,1%. Ao estratificar pelo escore FIB-4, 25,8% dos participantes apresentaram alto risco de fibrose avançada. Observou-se que a prevalência de sarcopenia provável foi significativamente maior no grupo de alto risco de fibrose (25,0%) em comparação ao grupo de baixo risco (0%; p = 0,012). Adicionalmente, confirmou-se uma correlação inversa e estatisticamente significativa entre o escore FIB-4 e a FPM máxima (p = 0,005), indicando que quanto maior o risco de fibrose, menor a força muscular. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os resultados demonstram que a progressão da doença hepática está intrinsecamente ligada ao comprometimento da função muscular. A redução da força muscular pode ocorrer precocemente, mesmo antes do diagnóstico definitivo de sarcopenia, caracterizando um estágio de pré-sarcopenia. A avaliação rotineira da FPM em pacientes com MASLD é recomendada por ser um método simples, de baixo custo e eficaz para identificar indivíduos em risco funcional, permitindo intervenções precoces focadas em exercícios e nutrição para melhorar o prognóstico a longo prazo.
PALAVRAS-CHAVE: MASLD; Sarcopenia; Fibrose hepática; Força de preensão manual; FIB-4.
Votação encerrada.