A SAÚDE DAS MULHERES NEGRAS: UMA ANÁLISE INTERSECCIONAL A PARTIR DE PATRICIA HILL COLLINS
INTRODUÇÃO: Patricia Hill Collins (1948 -), feminista negra estadunidense, desenvolve análises sobre as diversas formas de opressão que atravessam as mulheres negras, refletindo criticamente acerca da noção de interseccionalidade. O conceito de interseccionalidade denota as diferentes maneiras pelas quais raça, gênero e classe interagem para moldar as experiências sociais às quais mulheres negras estão submetidas. A partir da abordagem interseccional, Collins apresenta uma perspectiva epistemológica que surge de pensamentos e ações de mulheres negras e que permite compreender a produção de conhecimento desse grupo de mulheres em diferentes áreas, como a área da saúde. OBJETIVOS: Compreender o conceito de interseccionalidade e sua aplicação na análise das opressões vividas por mulheres negras; examinar os elementos da epistemologia feminista negra proposta por Hill Collins, tais como, sabedoria vivencial, diálogo comunitário, ética do cuidado e responsabilidade pessoal; investigar como as mulheres negras elaboram e aplicam saberes próprios em práticas de cuidado e saúde. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica e análise documental. Realizou-se o estudo das obras de Patricia Hill Collins, com destaque para os conceitos de interseccionalidade e epistemologia feminista negra. Em seguida, foi realizado o levantamento e a análise de dez artigos científicos sobre a saúde das mulheres negras, obtidos na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e no Google Acadêmico, por meio de leitura crítica e elaboração de fichamentos analíticos. Os resultados subsidiaram a elaboração de um ensaio interpretativo, de um artigo científico e do relatório final da pesquisa. RESULTADOS: Os resultados evidenciaram que a interseccionalidade permite compreender como as relações de raça e gênero se articulam na produção das desigualdades em saúde vivenciadas por mulheres negras, particularmente no âmbito da saúde sexual e reprodutiva. Foram identificadas manifestações de racismo estrutural e institucional, expressas na violência obstétrica, na deslegitimação da dor, nas dificuldades de acesso aos serviços e na invisibilização de necessidades específicas. Também foram observadas lacunas na produção científica sobre a saúde das mulheres negras, ao mesmo tempo em que se destacaram estratégias de resistência pautadas na valorização das experiências vividas, na produção epistemológica das mulheres negras e na organização coletiva. Tais achados, em diálogo com a perspectiva de Patricia Hill Collins, evidenciam a experiência vivida como dimensão relevante da produção de conhecimento e da resistência às relações de poder que atravessam as experiências de saúde das mulheres negras. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Refletir sobre a saúde das mulheres negras significa compreender como violência, resistência e busca por uma existência plena coexistem em suas experiências. Se, por um lado, o racismo estrutural e institucional produz desigualdades, exclusões, adoecimentos e mortes, por outro, as mulheres negras constroem práticas de enfrentamento, cuidado e transformação social. Em diálogo com Patricia Hill Collins, suas experiências vividas constituem lugares de produção de conhecimento e resistência, reafirmando sua existência e seus direitos à saúde.
PALAVRAS-CHAVE: Epistemologia Feminista Negra; Interseccionalidade; Patricia Hill Collins, Racismo Estrutural e Institucional; Saúde da Mulher Negra.
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