PERFIL DA ADESÃO MEDICAMENTOSA EM PORTADORES DE DIABETES EM UMA COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA
INTRODUÇÃO: O Diabetes Mellitus é uma doença crônica não transmissível de alta prevalência, cujo manejo depende da reorganização do estilo de vida e, na maioria dos casos, do uso contínuo de medicamentos. A baixa adesão à terapêutica medicamentosa constitui a causa mais prevalente de falha no tratamento de condições crônicas e associa-se a pior controle glicêmico, maior risco cardiovascular e elevação dos custos hospitalares. A literatura sobre o tema concentra-se em usuários de serviços de atenção primária, permanecendo pouco documentado o comportamento de adesão em comunidades universitárias, nas quais as barreiras socioeconômicas tendem a ser menos proeminentes. OBJETIVOS: Investigar o perfil de adesão ao tratamento medicamentoso de indivíduos com doenças crônicas não transmissíveis em uma comunidade universitária, identificando fatores associados que possam influenciar a continuidade e a efetividade do tratamento; especificamente, caracterizar o perfil sociodemográfico e clínico dos participantes, avaliar seu nível de conhecimento sobre a condição crônica e o tratamento correspondente e analisar os principais fatores associados à adesão. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo observacional, descritivo e analítico, de corte transversal e abordagem quantitativa, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Aplicou-se questionário eletrônico autoaplicável entre março e maio de 2026, organizado em blocos sociodemográfico, clínico e de barreiras à adesão, acrescido da Medida de Adesão aos Tratamentos e de itens adaptados do Beliefs about Medicines Questionnaire. A amostragem foi não probabilística por conveniência e a análise, predominantemente descritiva. RESULTADOS: Das 45 respostas registradas, uma foi excluída por ausência de consentimento, resultando em 44 respostas válidas, das quais 15 referiram diagnóstico de Diabetes Mellitus. Houve predomínio do sexo feminino, de escolaridade igual ou superior ao ensino médio completo e de rendimentos acima de três salários mínimos; a polifarmácia esteve presente em dois terços da amostra. A pontuação média de adesão foi de 5,07, com 60,0% dos participantes classificados como aderentes. Os menores escores concentraram-se na automedicação diante de piora clínica e na interrupção por término do medicamento, enquanto as dificuldades de identificação e compreensão dos medicamentos foram praticamente ausentes. As crenças mostraram-se favoráveis ao tratamento, com diferencial positivo entre necessidade e preocupações em 86,7% dos participantes. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A adesão observada foi majoritária, porém não plena, e sustentada por convicção terapêutica sólida, o que indica falhas de natureza predominantemente operacional e não intencional. Em populações com barreiras sociais atenuadas, o obstáculo remanescente parece ser a organização da rotina de uso e da reposição dos medicamentos, o que sugere maior rendimento de estratégias comportamentais do que educativas. O tamanho amostral, inferior ao calculado, restringe as conclusões ao âmbito descritivo e exploratório.
PALAVRAS-CHAVE: Adesão à medicação; Diabetes Mellitus; Doença crônica; Universidades; Conhecimentos, atitudes e prática em saúde.
Votação encerrada.