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NÃO-EU E ALTERIDADADE NAS MEDITAÇÕES CARTESIANAS DE EDMUND HUSSERL

CORDEIRO, Giovanna Gabrielle Bussolin Gonçalves¹; FERRAGUTO, Federico³
Curso do(a) Estudante: Psicologia – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Filosofia – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A presente pesquisa investiga a relação entre não-eu e alteridade na fenomenologia transcendental de Edmund Husserl, tomando como eixo a constituição do alter ego nas Meditações Cartesianas. O problema consiste em compreender como o outro pode ser reconhecido não apenas como fenômeno constituído, mas como outra subjetividade igualmente constituinte, sem que a recondução da objetividade ao ego transcendental resulte em solipsismo. OBJETIVOS: O estudo teve como objetivo geral analisar a relação entre não-eu e alteridade na fenomenologia transcendental husserliana. Especificamente, buscou compreender os pressupostos do idealismo transcendental, analisar os fundamentos do processo de constituição do mundo a partir do ego cogito e identificar as implicações da consciência como intencionalidade para a experiência do outro. MATERIAIS E MÉTODO: Realizou-se pesquisa qualitativa, bibliográfica e teórico-conceitual, fundamentada na leitura sistemática das Meditações Cartesianas e de literatura especializada sobre idealismo transcendental, egologia, intersubjetividade e alteridade. O percurso metodológico envolveu análise textual, elaboração de fichamentos e reconstrução argumentativa da passagem da egologia à intersubjetividade, articulada ao confronto entre interpretações contemporâneas da resposta husserliana ao problema do solipsismo. RESULTADOS: A análise evidenciou que o idealismo transcendental reconduz a validade objetiva do mundo às operações constitutivas do ego sem reduzir a objetividade a uma esfera subjetiva isolada. A investigação da intencionalidade e das sínteses constitutivas mostrou que a objetividade exige a possibilidade de validação intersubjetiva. Na V Meditação, a redução à esfera própria explicita as condições originárias da experiência do alter ego: a distinção entre Leib e Körper, o emparelhamento associativo e a apresentação analógica permitem compreender o corpo alheio como corpo vivido pertencente a outra subjetividade. A não originariedade da experiência alheia preserva a diferença entre as esferas subjetivas e possibilita reconhecer o outro como centro próprio de experiência e co-constituidor de um mundo comum. A crítica levinasiana, entretanto, mantém aberta a questão de saber se a mediação analógica assegura suficientemente a exterioridade do outro. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que a passagem da egologia à intersubjetividade constitui um desdobramento interno do idealismo transcendental, e não sua ruptura. A resposta husserliana enfrenta de maneira consistente o risco do solipsismo ao situar a intersubjetividade como condição da objetividade, embora permaneça aberta a tensão entre constituição intencional e preservação da alteridade.

PALAVRAS-CHAVE: Fenomenologia Transcendental; Não-eu; Alteridade; Intersubjetividade; Edmund Husserl.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida com bolsa CNPq no programa PIBIC.

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