PRAZER E DESPRAZER NA REINTERPRETAÇÃO SCHOPENHAUERIANA DE MĀYĀ
INTRODUÇÃO: A filosofia de Arthur Schopenhauer apresenta o mundo como representação sob o véu de Māyā, estrutura pela qual a Vontade una se fragmenta na pluralidade de fenômenos por meio do principium individuationis (tempo e espaço), estabelecendo a base da existência fenomênica e do sofrimento. OBJETIVOS: O estudo buscou compreender de que forma o prazer e o desprazer são produtos da estrutura de Māyā, investigando a reinterpretação desse conceito indiano pelo filósofo, seu estatuto enganoso e a maneira como essa ilusão condiciona as experiências de satisfação e dor. MATERIAIS E MÉTODO: Realizou- se uma pesquisa bibliográfica e qualitativa centrada na análise conceitual e hermenêutica da obra O Mundo como Vontade e como Representação, articulada ao exame da literatura crítica de comentadores da filosofia schopenhaueriana. RESULTADOS: Demonstrou-se que Māyā opera em uma dupla dimensão: cognitiva, ao estruturar as formas a priori do intelecto servil à sobrevivência, e afetiva, ao atuar como um delírio necessário que projeta falsas promessas de felicidade. Verificou-se que a dor possui estatuto ontológico positivo e imediato, enquanto o prazer se revela estritamente negativo, consistindo na cessação temporária de uma carência prévia. Essa dinâmica condena a vida humana a uma contínua oscilação entre o sofrimento da falta e o vazio do tédio. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que prazer e desprazer não possuem realidade autônoma, atuando como engrenagens da ilusão que acorrentam o sujeito ao querer-viver. Identificou-se como limite prático da teoria a inviabilidade da ascese permanente diante dos condicionamentos biológicos do corpo, o que exige o recurso à eudemonologia como paliativo prudencial. Por fim, o trabalho fornece subsídios para criticar a contemporânea hiperpatologização da dor e sugere investigações futuras entre a metafísica da Vontade e a psicanálise freudiana.
PALAVRAS-CHAVE: Schopenhauer; Maya, Principium individuationis; Prazer e desprazer; sofrimento.
Votação encerrada.