O ESPÍRITO SANTO E A IGREJA: ESTUDO A PARTIR DA ENCÍCLICA DOMINUM ET VIVIFICANTEM
INTRODUÇÃO: A pesquisa relê a encíclica Dominum et Vivificantem de João Paulo II (DeV 1986), numa aproximação a Evangelii Gaudium, de Francisco (EG 2013). Há poucos estudos pneumatológicos do magistério, o que justifica a pesquisa, ao aproximar dois pontificados distintos. Desde o Concílio, o magistério tem destacado a relação Espírito-Igreja, com atenção à missão, carismas, santidade e comunhão. Além disso, a analise aplica de modo original seis categorias tomadas de Lumen Gentium, expostas a seguir. OBJETIVOS: Examinar a relação entre o Espírito Santo e a Igreja na encíclica Dominum et Vivificantem, considerando suas fontes conciliares (Vaticano II, 1965) e a pertinência atual dos enunciados. Objetivos específicos: a) Estudar a encíclica Dominum et Vivificantem em seu contexto e escopo; b) Expor como a referida encíclica apresenta a relação entre o Espírito Santo e a Igreja, à luz de Lumen Gentium n. 4 e 12; c) Pontuar a contribuição da encíclica Dominum et Vivificantem para a missão da Igreja em saída, numa aproximação à exortação Evangelii Gaudium de Papa Francisco. MATERIAIS E MÉTODO: Os enunciados a respeito da relação Espírito/Igreja, nos dois documentos analisados, são material primário. Parte-se, portanto, da leitura pneumatológica de Dominum et Vivificantem e Evangelii Gaudium. Quanto ao método, aplicam-se aos documentos seis categorias de análise tomadas de Lumen Gentium n. 4 e 12: pentecostes, in-habitação, comunhão, renovação e/ou reforma eclesial, carismas e missão. Para interpretação dos enunciados, recorre-se a autores qualificados, que comentam os referidos documentos. As seis categorias de análise permitem verificar os conteúdos, suas distinções e conexões, numa leitura temática. O uso de quadro sinótico visualiza os conteúdos, mostrando aspectos quantitativos (quantas vezes os temas emergem na argumentação) e os aspectos qualitativos (o teor teológico das afirmações). RESULTADOS: Aplicando as categorias de análise, a pesquisa classificou e examinou os conteúdos pneumatológicos dos documentos. Ambos se enraízam na eclesiologia de comunhão do Vaticano II. Contudo, João Paulo II tem uma reflexão pneumatológica mais extensa, pois é um texto todo dedicado ao Espírito Santo, com ênfase na santificação e conversão, a partir da comunidade de fé. Já o Papa Francisco inclui o Espírito Santo num documento pastoral, voltado ao anúncio, vida eclesial, testemunho e evangelização. Ambos são, a seu modo, relevantes. Mas cada qual com ênfases, próprias de contexto e abordagem. Quanto à “saída em missão”, João Paulo II reafirma a validade do mandato missionário e o Espírito como protagonista. Já o Papa Francisco traduz esses princípios em atitude e disposição missionária, num texto não é dedicado formalmente ao Espírito Santo, mas à evangelização. CONSIDERAÇÕES FINAIS: João Paulo II visa a nova evangelização no III Milênio; já Francisco visa a reforma missionária da Igreja. Ambos afirmam o Espírito como agente da missão, santificação e comunhão, animando o Povo de Deus com carismas, em testemunho do Evangelho João Paulo II enfatiza a pertença eclesial, escuta da Palavra, conversão e testemunho. Papa Francisco enfatiza as relações entre sujeitos em atitude de encontro; retoma o protagonismo do Espírito na missão, com disposição de saída, em contínua conversão pastoral, na Igreja para além de seus limites, em testemunho alegre do Evangelho.
PALAVRAS-CHAVE: Espírito Santo; Eclesiologia; Dominum et Vivificantem; Evangelização; Evangelii Gaudium.
Votação encerrada.