RASTREAMENTO PRECOCE DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) EM UMA POPULAÇÃO PEDIÁTRICA
INTRODUÇÃO: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) caracteriza-se por déficits persistentes na comunicação social e padrões comportamentais restritivos, cujo diagnóstico frequentemente tardio compromete o início de intervenções no período de maior neuroplasticidade cerebral. No contexto da coorte prospectiva COVIDEV, torna-se prioritária a busca por marcadores comportamentais e do desenvolvimento iniciais capazes de otimizar a vigilância na primeira infância. OBJETIVOS: Investigar se os resultados dos instrumentos ASQ-3 e Bayley-III aplicados aos 12 meses podem indicar precocemente sinais sugestivos de TEA aos 24 meses, avaliando a concordância diagnóstica entre as escalas e o desfecho avaliado pelo instrumento M-CHAT-R/F. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo de coorte prospectivo desenvolvido no ambulatório de pediatria da PUCPR com 59 crianças acompanhadas longitudinalmente. Aos 12 meses, foram aplicadas as escalas de triagem do neurodesenvolvimento, ASQ-3 e Bayley-III. O rastreamento de risco para TEA foi realizado aos 24 meses por meio do questionário M-CHAT-R/F. A análise estatística utilizou o teste de Mann-Whitney para comparar as medianas de variáveis contínuas e o coeficiente Kappa de Cohen para avaliar a concordância qualitativa entre as classificações binárias do ASQ-3 aos 12 meses e o desfecho do M-CHAT-R/F aos 24 meses. RESULTADOS: O rastreamento pelo M-CHAT-R/F indicou risco sugestivo de TEA em 11,8% (n=7) da amostra aos 24 meses. Aos 12 meses, o grupo M-CHAT positivo apresentou medianas significativamente menores nos domínios Cognitivo (p=0,006), Comunicação Receptiva (p=0,027), Comunicação Expressiva (p=0,029) e Motor Fino (p=0,001) da escala Bayley-III, além de pontuações significativamente menores no ASQ-3 para Coordenação Motora Fina (p=0,024), Resolução de Problemas (p=0,004), Pessoal-Social (p=0,049) e ASQ Global (p=0,009). Ainda, uma análise evidenciou concordância significativa com o desfecho do M-CHAT-R/F para os domínios do ASQ-3 Pessoal-Social (Kappa = 0,423; p < 0,001), Coordenação Motora Ampla (Kappa = 0,354; p = 0,001), Coordenação Motora Fina (Kappa = 0,350; p = 0,003) e Resolução de Problemas (Kappa = 0,354; p = 0,001), enquanto o domínio Comunicação não obteve concordância estatisticamente significativa (p=0,119). CONSIDERAÇÕES FINAIS: Alterações incipientes no desenvolvimento global e, primordialmente, na coordenação motora fina aos 12 meses precedem e correlacionam-se significativamente com o rastreamento positivo para TEA aos 24 meses. Tais achados sugerem a validade clínica do uso de marcadores motores e cognitivos precocemente no primeiro ano de vida para apoiar a decisão de uma triagem antecipada com o M-CHAT-R/F aos 18 meses, otimizando os fluxos de vigilância ativa e permitindo o encaminhamento a intervenções interdisciplinares em tempo oportuno no Sistema Único de Saúde (SUS).
PALAVRAS-CHAVE: Transtorno do Espectro Autista; Desenvolvimento Infantil; Triagem Precoce; Atenção Primária à Saúde.
Votação encerrada.