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BIOHACKING E AUTOEXPERIMENTAÇÃO: DILEMAS BIOÉTICOS NA MEDICINA CONTEMPORÂNEA

OSCO, Emily Cristina¹; KARASINSKI, Murilo³
Curso do(a) Estudante: Psicologia – Escola de Toledo – Câmpus Toledo
Curso do(a) Orientador(a): Filosofia – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: Até onde vai o direito de transformar o próprio corpo quando a experimentação deixa o laboratório e passa às mãos do indivíduo? O biohacking reúne práticas que permitem monitorar, modificar ou aprimorar o corpo fora de instituições médicas e científicas, em um cenário marcado pela biologia sintética, pela engenharia genética e pela medicina personalizada. Essa liberdade amplia as possibilidades de autoconhecimento e intervenção sobre si e suscita dúvidas sobre segurança, consentimento, responsabilidade e efeitos sobre terceiros. A pesquisa desloca o debate bioético das grandes decisões institucionais para escolhas que já integram a vida cotidiana. OBJETIVOS: Analisar os dilemas bioéticos relacionados ao biohacking e à autoexperimentação na medicina contemporânea. O estudo buscou identificar as práticas em circulação, discutir como autonomia, risco e responsabilidade se articulam nesses contextos e relacionar os casos encontrados a modelos bioéticos contemporâneos. MATERIAIS E MÉTODO: Foi realizada uma pesquisa qualitativa de natureza teórico-documental. As buscas ocorreram entre agosto de 2025 e maio de 2026 nas bases Scopus e PubMed, em periódicos da Frontiers e no Google Scholar, com descritores em português e inglês. Foram priorizadas publicações dos últimos dez anos, com inclusão de obras clássicas da bioética. Cerca de quarenta textos foram identificados e dezoito seguiram para leitura integral, conforme aderência aos objetivos, revisão por pares e confiabilidade da fonte. A análise crítica e comparativa foi organizada em três categorias, compostas pelas práticas de biohacking, pelas relações entre autonomia, risco e responsabilidade e pela aplicação de referenciais bioéticos. RESULTADOS: Foram identificadas cinco modalidades de biohacking, formadas por implantes corporais, dispositivos de automonitoramento, intervenções genéticas fora de laboratórios institucionais, produção independente de substâncias e desenvolvimento independente de vacinas. Três casos orientaram a análise, envolvendo chips subcutâneos RFID e NFC, autoinjeção pública de material genético com CRISPR e autoexperimentação com substâncias não validadas durante a pandemia de covid-19. Os achados revelaram riscos físicos, como infecção e efeitos adversos, riscos a terceiros ligados ao uso indevido da biologia sintética e riscos informacionais associados aos dados biométricos. As comunidades on-line oferecem conhecimento e pertencimento, podendo normalizar práticas arriscadas e dificultar a atribuição de responsabilidade. O principialismo esclareceu as tensões entre autonomia, benefício, dano e justiça. A bioética de intervenção evidenciou as desigualdades de acesso a práticas seguras e reguladas. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A autonomia sobre o próprio corpo depende da compreensão dos riscos, das consequências para terceiros e das condições em que a decisão ocorre. Nenhum modelo bioético isolado abrange os dilemas encontrados. O principialismo oferece critérios para avaliar escolhas e danos, e a bioética de intervenção situa essas escolhas em contextos de desigualdade e vulnerabilidade. A bioética precisa acompanhar práticas desenvolvidas fora das instituições de saúde por meio de fiscalização, educação científica e diálogo entre pesquisadores, profissionais, comunidades de biohackers e formuladores de políticas públicas, aliando curiosidade científica à proteção das pessoas.

PALAVRAS-CHAVE: Bioética; Biohacking; Autoexperimentação; Autonomia; Responsabilidade.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida com bolsa Fundação Araucária no programa PIBIC.

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