ESTUDO DA RESPOSTA INFLAMATÓRIA AGUDA E CRÔNICA EM IMPLANTES DE POLIPROPILENO MODIFICADOS: ÊNFASE EM CÉLULAS EOSINOFÍLICAS
INTRODUÇÃO: Introdução: As telas cirúrgicas de polipropileno são amplamente utilizadas no reparo de hérnias da parede abdominal, mas sua presença pode desencadear reação inflamatória persistente e reação de corpo estranho, com participação ainda pouco esclarecida de células eosinofílicas nessa interface entre biomaterial e tecido hospedeiro. Revestimentos biológicos à base de colágeno de pericárdio bovino descelularizado, associados ou não a rifampicina, têm sido propostos como estratégia para modular essa resposta. OBJETIVOS: Objetivos: Comparar a resposta inflamatória aguda e crônica desencadeada por tela de polipropileno sem revestimento e por telas revestidas com colágeno liofilizado, com gel de colágeno descelularizado e com colágeno liofilizado impregnado com rifampicina, com ênfase nas populações de eosinófilos e de células gigantes multinucleadas. MATERIAIS E MÉTODO: Materiais e Métodos: 72 ratos Wistar foram distribuídos em 4 grupos experimentais — M (tela sem revestimento), MC (colágeno liofilizado), MG (gel de colágeno descelularizado) e MR (colágeno liofilizado impregnado com rifampicina) — submetidos a implante subcutâneo dorsal das respectivas telas. Amostras teciduais foram coletadas aos 7, 30 e 90 dias de pós-operatório. A coloração utilizada para análise histológica foi hematoxilina-eosina, e a resposta inflamatória foi caracterizada por meio de contagem descritiva (média ± desvio-padrão) de neutrófilos, linfócitos, eosinófilos, células gigantes multinucleadas, macrófagos e fibroblastos por campo histológico. RESULTADOS: Resultados: Aos 7 dias, todos os grupos apresentaram infiltrado inflamatório misto, com maior contagem de eosinófilos no grupo M (5,55 ± 3,21 células/campo) e menor no grupo MR (1,26 ± 0,90). Ao longo do acompanhamento, neutrófilos e eosinófilos reduziram-se progressivamente em todos os grupos, enquanto macrófagos, linfócitos e fibroblastos persistiram até os 90 dias, configurando transição para um padrão predominantemente crônico-reparativo. O grupo M manteve as maiores contagens de células gigantes multinucleadas aos 30 e 90 dias, ao passo que os grupos revestidos com colágeno, sobretudo o MC, apresentaram reação multinucleada discreta ou ausente e maior atividade fibroblástica tardia. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Considerações Finais: De forma descritiva, os revestimentos de colágeno associaram-se a menor reação de corpo estranho e a um padrão de remodelamento fibroblástico mais consistente ao longo do tempo, em comparação à tela de polipropileno isolada, sugerindo um possível papel modulador desses biomateriais sobre a resposta inflamatória peri-implante. A confirmação estatística inferencial dessas diferenças permanece como etapa complementar necessária.
PALAVRAS-CHAVE: Tela de polipropileno; Colágeno; Resposta inflamatória; Eosinófilos; Corpo estranho.
Votação encerrada.