ELEMENTOS DE RECONSTRUÇÃO HISTÓRICA NA DIREÇÃO DE ARTE DE “AINDA ESTOU AQUI” (2024)
INTRODUÇÃO: O cinema relaciona arte e tecnologia, entendendo esta como um fator que influencia formas de representação da realidade, da memória e do passado. Nesse contexto, a direção de arte é responsável por materializar o tempo e o espaço narrativos por meio de cenários, objetos, figurinos e cores. Em obras de reconstrução histórica, esses elementos ajudam a situar a narrativa em determinado período e a construir interpretações sobre ele. O filme Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles, representa a ditadura militar brasileira a partir da trajetória de Eunice Paiva e sua família, tornando-se um objeto relevante para analisar como a direção de arte contribui para a reconstrução histórica e para a construção da memória. OBJETIVOS: A pesquisa busca investigar de que maneira a direção de arte de Ainda Estou Aqui contribui para a reconstrução histórica da obra. Para isso, propõe a identificação e análise dos principais elementos visuais do filme, observando como cenários, objetos, figurinos e cores participam da construção narrativa, da representação do período histórico e da produção de sentidos relacionados à memória e ao passado. MATERIAIS E MÉTODO: A pesquisa adotou abordagem qualitativa, analítica e interpretativa. Inicialmente, realizou-se revisão bibliográfica sobre tecnologia, memória, reconstrução histórica e direção de arte. A análise fílmica foi baseada nos pressupostos de Goliot-Lété e Vanoye, utilizando a decupagem analítica do filme. Após diversas visualizações, foram identificados e organizados os elementos visuais ligados à reconstrução histórica em três categorias: mídia, veículos e figurino. Os dados foram registrados em planilha analítica com descrições das cenas, funções narrativas e contextualização histórica, permitindo relacionar os elementos de direção de arte à construção da narrativa. RESULTADOS: Os resultados mostram que mídia, veículos e figurino exercem funções que vão além da ambientação. Os elementos de mídia, como fotografias, documentos, jornais, rádio e televisão, auxiliam na representação do período histórico e da circulação de informações. Os veículos contribuem para retratar deslocamentos, espaços urbanos e a presença do controle estatal. Já os figurinos evidenciam mudanças temporais e transformações das personagens, especialmente Eunice Paiva, cuja caracterização acompanha sua trajetória ao longo da narrativa. Esses recursos colaboram para a contextualização histórica e para a organização dos acontecimentos do filme CONSIDERAÇÕES FINAIS: A pesquisa confirmou que a direção de arte desempenha papel fundamental na reconstrução histórica e na construção narrativa de Ainda Estou Aqui. Os elementos analisados contribuem para representar a ditadura militar brasileira, aproximando memória individual e memória histórica. A reconstrução do passado ocorre por meio da articulação entre recursos visuais e funções narrativas, evidenciando que a direção de arte atua na produção de sentidos e na transmissão de conhecimentos sobre o período retratado. O estudo reforça a importância desse departamento para a linguagem cinematográfica e para futuras pesquisas sobre cinema, memória e representação histórica.
PALAVRAS-CHAVE: Direção de arte; Reconstrução histórica; Cinema; Ainda Estou Aqui.
Votação encerrada.