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INCIDÊNCIA DE EPISÓDIOS DE OTORREIA EM PACIENTES SUBMETIDOS À TIMPANOTOMIA COM TUBO DE VENTILAÇÃO

SCHWARZ, Paola Ferrari¹; PAUNA, Henrique Furlan³
Curso do(a) Estudante: Medicina – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Medicina – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A timpanotomia com colocação de tubo de ventilação (TV) é um dos procedimentos mais realizados em otorrinolaringologia, classicamente indicado para otite média com efusão persistente, mas também empregado em otite média aguda de repetição, barotrauma ótico e disfunção da tuba auditiva. Apesar de ser considerado seguro, o procedimento pode evoluir com desfechos desfavoráveis — como a necessidade de reabordagem cirúrgica —, cujos fatores de risco permanecem pouco explorados na literatura nacional. OBJETIVOS: Avaliar os fatores pré-operatórios e operatórios associados à ocorrência de desfecho desfavorável, definido como necessidade de nova abordagem cirúrgica, em pacientes submetidos à timpanoplastia com colocação de TV em um hospital universitário de referência. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo observacional retrospectivo, com revisão de prontuários de 44 pacientes submetidos à timpanoplastia com TV no Hospital Universitário Cajuru entre março de 2021 e agosto de 2025, sendo coletadas variáveis demográficas, clínicas, cirúrgicas e de evolução pós-operatória. Variáveis categóricas foram comparadas pelos testes exato de Fisher e qui-quadrado, e as quantitativas pelos testes de Mann-Whitney e Kruskal-Wallis. O tempo livre de indicação de reabordagem foi estimado pelo método de Kaplan-Meier, e a associação entre características clínicas e o desfecho foi avaliada por modelos univariáveis de regressão de Cox. RESULTADOS: A hipoacusia foi o sintoma pré-operatório mais frequente (77,3%), seguida por otite (31,8%) e roncopatia (54,5%). Nove dos 44 pacientes (20,5%) apresentaram desfecho desfavorável, com mediana de tempo livre de reabordagem de 37,3 meses (IC95% 25,5–49,2); 20 pacientes (45,5%) receberam alta por evolução favorável e 15 (34,1%) permaneciam em seguimento ambulatorial. A perfuração residual da membrana timpânica ao desfecho foi a única variável significativamente associada ao grupo de reabordagem (p=0,038), estando presente exclusivamente nesse grupo. Nenhuma variável pré-operatória ou operatória apresentou associação estatisticamente significativa na regressão de Cox univariável; a cacosmia pré-operatória apresentou a maior magnitude de associação (HR 8,90; IC95% 0,93–85,58), sem atingir significância estatística (p=0,058). CONSIDERAÇÕES FINAIS: Cerca de um quinto dos pacientes submetidos à timpanoplastia com TV apresentou desfecho desfavorável, e a perfuração residual da membrana timpânica foi o único achado consistentemente associado à reabordagem cirúrgica; reforçando a importância do acompanhamento ambulatorial sistemático para identificação precoce das complicações. A ausência de fatores preditivos estatisticamente significativos reforça a necessidade de estudos com amostras maiores para identificar, de forma mais robusta, os determinantes desse desfecho.

PALAVRAS-CHAVE: Tubo de ventilação; Timpanotomia; Hipoacusia; Otite média; Complicações pós-Operatórias.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida com bolsa Fundação Araucária no programa PIBIC.

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