ASSOCIAÇÃO ENTRE SOLIDÃO E INCAPACIDADE FUNCIONAL EM UMA POPULAÇÃO IDOSA DE PACIENTES AMBULATORIAIS DO SUS: IMPACTOS NA SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA
INTRODUÇÃO: O envelhecimento populacional tem sido acompanhado pelo aumento da prevalência de doenças crônicas, fragilidade e incapacidade funcional, tornando imprescindível a identificação de fatores que possam comprometer a autonomia e a qualidade de vida da população idosa. Nesse contexto, a solidão destaca-se como um importante determinante social da saúde, estando associada a desfechos físicos, psicológicos e funcionais desfavoráveis. OBJETIVOS: Analisar a associação entre presença de solidão e incapacidade funcional em pessoas idosas atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de um estudo observacional, transversal e multicêntrico, realizado com pessoas idosas em acompanhamento ambulatorial no Hospital Universitário Cajuru e nos ambulatórios da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba e Londrina. Foram incluídos indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos, utilizando-se a versão brasileira da Escala de Solidão da Universidade da Califórnia (UCLA-BR) para avaliação da presença de solidão, o Índice de Katz para avaliação da incapacidade funcional e instrumentos para avaliação de comprometimento cognitivo, número de comorbidades, desempenho funcional, força muscular e características sociodemográficas. Inicialmente, realizou-se análise descritiva das variáveis, seguida de regressão logística binária ajustada para potenciais fatores de confusão. RESULTADOS: A amostra final foi composta por 597 pessoas idosas, com idade média de 71,3±7,2 anos, predominância do sexo feminino (56,3%) e prevalência de presença de solidão de 15,4%. Pessoas com incapacidade funcional apresentaram maior frequência de presença de solidão, maior idade, maior número de comorbidades, maior comprometimento cognitivo conforme escolaridade, pior desempenho no teste de sentar e levantar em 30 segundos e maior prevalência de dinapenia. Na análise ajustada, a presença de solidão permaneceu independentemente associada à incapacidade funcional, aumentando em 3,34 vezes a chance desse desfecho. Além disso, idade, número de comorbidades e comprometimento cognitivo conforme escolaridade permaneceram associados à incapacidade funcional, enquanto o sexo masculino apresentou menor probabilidade desse desfecho. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A solidão mostrou-se independentemente associada à incapacidade funcional em pessoas idosas atendidas pelo SUS, indicando que sua identificação durante o acompanhamento ambulatorial pode contribuir para o reconhecimento precoce de indivíduos em maior risco de declínio funcional. Esses achados reforçam a importância de estratégias multiprofissionais voltadas à promoção do envelhecimento saudável, preservação da autonomia e prevenção da incapacidade funcional.
PALAVRAS-CHAVE: Solidão; Incapacidade funcional; Pessoa idosa; Sistema Único de Saúde.
Votação encerrada.